Surto de cinomose serve de alerta para a importância da vacinação

  • 18/05/2017 12:45

    Petrópolis tem enfrentado aumento de disseminação de cinomose, doença que ocorre em cães (gatos e seres humanos não são infectados). A prevenção contra a doença ocorre por meio de vacina múltipla (óctupla ou déctupla) de boa procedência, encontrada apenas em clínicas veterinárias, não sendo disponibilizada em casas de ração ou pela rede pública. As campanhas governamentais incluem apenas a vacinação contra a raiva.

    A vacina múltipla canina (V8 ou V10) protege não apenas contra a cinomose, mas também contra outras doenças extremamente agressivas, como a parvovirose, coronavirose, hepatite infecciosa canina, adenovírus tipo 2, parainfluenza e cepas de leptospirose. Nos filhotes, a primeira dose é aplicada aos 45 dias de vida, seguida de mais 3 doses, com intervalo de 21 a 30 dias entre elas (totalizando 4 doses). Daí por diante, só é necessário atualizar a cada 12 meses.

    De acordo com a médica veterinária Priscila Mesiano, a cinomose é uma doença infectocontagiosa grave, transmitida pela saliva, pelas fezes e pelo ar. “A doença leva a sintomas gastrointestinais como vômito e diarreia, sintomas respiratórios, como secreção nos olhos, pneumonia, tosse com produção de muco, sintomas neurológicos muito graves, como convulsão, ataxia, tiques nervosos na patinha, cabeça ou qualquer outro membro, paralisia, entre outros. Comumente, a doença leva a óbito. São poucos os casos em que os animais se salvam da cinomose”, alerta

    Uma vez que o animal é diagnosticado com a doença, os veterinários buscam tratar os sintomas, já que ainda não existe um tratamento direcionado à doença. “Há estudos atualmente com antivirais, mas não há comprovação ainda para a cura da doença com este mé- todo. O que a ciência oferece, por enquanto, é o tratamento dos sintomas. Se há sintomas respiratórios, trata-se com antibióticos e mucolíticos. Se há convulsão, utiliza-se anticonvulsivantes,. Se há falta de apetite, é preciso inserir o animal no soro e ministrar comida diretamente à boca”, detalha.

    A veterinária Priscila diz que apenas na clínica em que trabalha, a Amigo Bicho, na Montecaseros, cerca de 60 animais foram atendidos no mês de abril com sintomas da doença. “Infelizmente, destes, aproximadamente 70% não resistiram. O número de maio pode ser ainda maior, já que temos atendido 4 ou 5 casos por dia”, destaca.

    Uma vacina oriunda de laboratórios certificados imuniza um animal com margem de proteção entre 98% e 100%. A variação de até 2% é a pequena possibilidade que o animal tem de adquirir a doença mesmo vacinado. Entretanto, se o cão não tem contato com outros animais não imunizados, ou seja, não sai, fica no quintal, é praticamente impossível contrair a doença. Mesmo assim, recomenda-se cuidado aos tutores que tiverem contato com animais contaminados de, por exemplo, retirar os sapatos antes de entrar em casa para diminuir ainda mais essa possibilidade.

    Apenas são vacinados animais que passem por exame clínico completo e sejam 100% saudáveis. “No momento da vacinação, é preciso apalpar o abdômen, olhar os linfonodos, aferir temperatura, observar se o animal está com secreção nasal ou ocular, auscultar pulmão e coração, perguntar ao tutor sobre as fezes e verificar se o animal tem tosse. Se houver qualquer sintoma que levante a suspeita de alguma doença, é inviável a vacinação do animal naquele momento, o que leva à solicitação de um exame complementar para o diagnóstico preciso ou um prazo maior para aplicar a vacina”, esclarece a profissional.

    Diante de um animal abandonado que foi resgatado, é importante que a pessoa o deixe separado dos pets da casa por 15 dias. Este período de quarentena é necessário para observar se o peludo está incubando alguma doença. “Caso o animal não apresente sintomas após este período de quarentena e for constatado que ele apresenta boa saúde clínica, aí sim, é possível fazer a imunização com a múltipla”, finaliza.

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