Prefeitura admite que pode adiar volta às aulas presenciais, dependendo da covid

18/mar 19:45
Por Luana Motta

Perto de um colapso no sistema de saúde, municípios vizinhos começaram a voltar atrás e adiaram a retomada das aulas presenciais. O Rio de Janeiro, que tinha prevista a data de retorno de parte dos alunos da rede municipal nesta quarta-feira (17), adiou a retomada por mais duas semanas. Em Petrópolis, a retomada de toda a rede de ensino está marcada para o dia 5 de abril. Ontem, pela primeira vez, a Prefeitura admitiu que pode alterar a data, dependendo do quadro da covid-19 na cidade. A Prefeitura informou que segue monitorando os dados da covid-19 na cidade “Todas as decisões estão sendo tomadas com base no cenário epidemiológico. Se o quadro se mantiver, o decreto municipal será, sim, revisto”, diz a nota do governo interino.

Mas o aumento no número de casos de covid-19 e a explosão de internações nas unidades hospitalares está deixando profissionais da educação preocupados. Sindicatos, profissionais da educação e a Comissão da Educação da Câmara já se posicionam contra a retomada neste momento.

Nesta quarta-feira (17), o coletivo de docentes Liga dos Educadores fez uma manifestação no Obelisco contra o retorno das aulas em abril. Foram feitas projeções no monumento, com frases reivindicando o direito ao ensino remoto a todos os alunos e docente, além da defesa da vacinação. O grupo é formado por representantes da rede pública e privada da cidade.

“O plano de retorno não teve a publicidade necessária, e a categoria está em risco, uma vez que não vislumbram-se medidas eficazes, que garantam um retorno seguro para os alunos e profissionais da educação. Na avaliação de nosso coletivo, só a vacinação em massa possibilitará a segurança para a volta presencial das aulas”, diz parte do trecho de uma nota divulgada pelo Coletivo.

No início da semana, em entrevista à Tribuna, o diretor do Sindicato dos Professores de Petrópolis e Região (Sinpro), Frederico Fadini, se manifestou contrário a retomada neste momento. “A nosso ver, tudo é desfavorável, não só em termos de Petrópolis, mas no estado do Rio e no Brasil de um modo geral. Nós verificamos um agravamento das condições sanitárias referentes à covid-19 e, para nós que, torcíamos para que a situação se tornasse mais favorável, infelizmente, o país caminhou para o contrário, para o agravamento”, disse Frederico.

Explosão de casos e novas variantes do vírus remam contra as medidas de retomada

O aumento de casos de covid-19, não só em Petrópolis, mas em todo o estado, está fazendo os municípios regredirem as medidas de flexibilização, como funcionamento do comércio, bares e restaurantes e até a permanência da população nas ruas, decretando toques de recolher.

As internações explodiram nas últimas semanas. Além disso, na semana passada, a Secretaria de Estado de Saúde confirmou dois casos de variantes do Sars-CoV-2 em crianças em Petrópolis. A Secretaria Municipal de Saúde está fazendo o monitoramento dos casos, mas já acende um alerta sobre o avanço do vírus na cidade.

O presidente da Unimed Petrópolis, o médico Rafael Gomes de Castro, divulgou um vídeo em que explica o cenário epidemiológico que o município está enfrentando. O Hospital Unimed Petrópolis atingiu a capacidade máxima de internação em leitos de UTI Covid-19 na última terça-feira. O médico explica que a única forma comprovada de combater a doença é a vacina, mas que neste momento sem a vacinação para todos, e com as novas variantes, o vírus pode ser ainda mais letal.

“O que isso significa, o vírus se adaptou, o vírus mudou a forma como ele faz a infecção. O vírus mudou a forma como ele agrava o estado de saúde no corpo humano. Principalmente, ele está atingindo outras faixas etárias, principalmente, crianças. Vejam dados de São Paulo: aumentou em 47% a infecção em crianças com quadros graves. As variantes já estão circulando no nosso meio, em Petrópolis já tem confirmação oficial de duas crianças, uma outra em análise, e um petropolitano não residente. Não temos mais como predizer quais infecções são pelo vírus inicial ou pelo vírus adaptado”, alerta o médico.

Retomada das aulas com número insuficiente de coletivos pode agravar o problema

O vereador Yuri Moura (PSOL), presidente da Comissão de Educação, Assistência Social e Direitos Humanos enviou um documento à CPTrans na última segunda-feira (18), pedindo medidas administrativas e fiscalização imediata no transporte público em Petrópolis. Com a frota reduzida e a retomada das aulas, a situação nos coletivos, que já circulam com capacidade acima do esperado e acordado para o período de pandemia, tende a agravar. O vereador também defende a suspensão do retorno presencial às aulas por 45 dias.

“Desde janeiro estamos levantando informações, denunciando, fiscalizando e lutando ao lado dos rodoviários. Mas as empresas de ônibus insistem em suas covardias. Estão mudando horários, linhas e expondo a população em ônibus lotados. Para piorar, a justiça autorizou que as empresas rodassem apenas com 50% da frota durante a pandemia, um absurdo, totalmente fora da realidade diária dos trabalhadores e trabalhadoras. É um atentado contra a saúde pública”, disse Moura.

Já na quarta-feira (17), a Prefeitura anunciou que a Procuradoria Geral do Município entrou com uma medida judicial cobrando das empresas de ônibus o retorno imediato da operação de 100% da frota. De acordo com a Prefeitura, a medida tem como objetivo garantir maior oferta de ônibus à população, evitando aglomerações dentro dos coletivos e também nos pontos de embarque e desembarque.

Planejamento

Além de admitir uma mudança, dependendo do quadro, a Prefeitura disse que o planejamento para o retorno das aulas, independente da data em que isso acontecer, prevê reconhecimento das escolas que assumirem o compromisso e cumprirem as orientações para retorno seguro e retorno gradual no sistema híbrido. Lembrando que a aula presencial será opcional, e não obrigatória. Sobre a ação judicial que cobra o retorno de 100% da frota de ônibus nas ruas, a Prefeitura informa que a CPTrans já vinha trabalhando em estudos para garantir o reforço na operação para o momento de retorno.

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