Médico de família desafoga demanda por saúde na pandemia

29/mar 17:00
Por Redação/Tribuna de Petrópolis

Os Médicos de Família ganham espaço no mercado ao passo que aumentam as ações preventivas durante a pandemia. Centrais na estratégia de crescimento dos planos de saúde, os especialistas atuam como pivô da conversão dos ex-clientes que perderam o emprego nos últimos anos em clientes de planos ambulatoriais, mais baratos, já que permitem às empresas de saúde suplementar reduzirem custos, carência e a necessidade de internações.

“O médico da família cria um relacionamento constante com um grupo de pacientes e consegue resolver mais de dois terços dos problemas de saúde deles”, afirma José Carlos Rezende, um dos pioneiros da especialização no Brasil, na década de 1990 e supervisionou o Programa Saúde da Família no Rio de Janeiro. “O ganho dessa abordagem pode inclusive zerar o número de fraudes nos planos, já que o médico conhece o paciente”, complementa Rezende, que é fundador da startup Cuida Mais, que oferece serviços de saúde empresarial e medicina da família.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade, cerca de 80% dos problemas de saúde da população podem ser resolvidos no atendimento primário, isso porque existe um acompanhamento no qual o médico já entende o estilo de vida, hábitos e saúde familiar daquele paciente. Diferente dos demais especialistas, que tratam de problemas pontuais, sem uma avaliação integral daquele paciente.

Há três anos os planos de saúde e empresas privadas iniciaram uma aposta na medicina da família como uma forma de reduzir custos, controlar o absenteísmo e também para evitar problemas de saúde ocupacional, mas seus benefícios vão além dessas questões, pois também há melhora na produtividade e evita a visita aos demais especialistas e idas ao pronto atendimento, que nem sempre são necessários, principalmente no momento atual com os hospitais lotados.

A modalidade Médico de Família já é bastante conhecida e comum fora do país, seu surgimento se deu durante o pós-guerra na Inglaterra e foi adotado por outros países como um modelo de acesso universal à saúde. No Brasil, durante a década de 70 a especialização chegou a faculdades da América Latina, mas só na década de 90 que os projetos se expandiram e se aperfeiçoaram.

“A especialidade tem um olhar voltado para o paciente, e isso inclui o contexto social, psicológico e comportamental daquela pessoa. O Médico de Família cuida pessoalmente e integralmente deste paciente”, destaca Rezende. “Como o próprio nome sugere, o médico é capaz de cuidar de toda a família, desde seu nascimento até a melhor idade, com tratamento mais humanizado e eficiente. O objetivo é a prevenção de doenças e promoção da saúde, reduzindo assim as internações e encaminhamentos a especialistas, atuando de forma preventiva”, completa o especialista.

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