• Período de fim de ano exige cuidados especiais com os pets

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  • 19/12/2018 11:43

    Fim de ano é época de grande comemoração para muitos. A alegria e a esperança se renovam na expectativa de um novo ciclo. Entretanto, o estrondo de alguns recursos utilizados nesta celebração, como fogos de artifício, podem ser bastante estressantes para tanto para pessoas enfermas, portadoras de deficiência e idosas quanto para os animais. 

    Segundo a médica veterinária Priscila Mesiano, os animais possuem capacidade auditiva muito superior à nossa. Por isso sentem tanto incômodo com artefatos utilizados nas celebrações. “Cães, gatos e até animais silvestres sofrem com o problema. Mas enquanto os gatos ficam quietinhos, cachorros  começam a tremer, ficam nervosos e procuram um lugar para se esconder”, avalia.

    A funcionária pública Carla Gerhardt possui três animais e procura estar sempre com eles neste período. “Nessas horas de maior aflição para o bichinho, não consigo deixá-los sozinhos, passo a virada do ano em casa, com os amigos, enquanto uma delas fica escondida embaixo da cama, os outros ficam em outro cômodo com luz baixa e música ambiente tranquila, sendo terminantemente proibido soltar fogos aqui”, relata.

    Este comportamento da proprietária é considerado ideal para Priscila. “Além de evitar utilizar os artefatos e permanecer com os animais no interior da residência, é importante não confirmar o medo do peludo, digo, se o responsável percebe o sentimento no animal, não deve acariciá-lo neste momento”, ressalta a profissional, que orienta donos a deixarem nome e telefone em plaquinhas de identificação ou até mesmo escrito a caneta nas coleiras de cães e gatos, pois a agitação causada pelos fogos, somada ao entra e sai das visitas, costuma ser grande motivo de fugas. Também é fundamental não deixá-los acorrentados, pois podem se enforcar, provocando a morte do animal.

    No caso de pessoas que precisam estar ausentes, o recomendado é separar os animais com temperamento dominante, desde que não seja em ambientes com objetos cortantes à disposição, como a cozinha, por exemplo, já que o animal acuado e agitado pode fazer algo cair, provocando ferimentos.

    Infelizmente, existem casos em que o sofrimento do animal é tão extremo que eles podem vir a óbito, não só por ferimento, brigas e enforcamento, como também por parada cardíaca. Por isso, a profissional ressalta ainda a adoção de outros hábitos para proteger os animais. Evitar a aglomeração de muitos animais que podem brigar devido ao estresse e levar a graves consequências. Colocar o animal em cômodo seguro, com portas e janelas fechadas. Se possível colocar rádio ou TV ligada em programação calma. Deixar o ambiente em meia luz. Dar alimentação leve, para evitar distúrbios estomacais. É importante não ceder à tentação de oferecer comidas natalinas ao animal, já que os doces típicos podem causar insuficiência renal e as carnes tendem a provocar vômito e diarreia.  Colocar cobertores ou edredons nas portas e janelas para abafar o som dos fogos. Se o animal permitir, colocar algodão nos ouvidos. No caso de aves, cobrir as gaiolas. Para gatos, procurar promover esconderijos seguros, como caixas de papelão, guarda roupas, entre outros.

    A médica veterinária também sugere a utilização de florais para administrar o medo, bem como ansiolíticos ou fitoterápicos. “Ainda há tempo de proteger o animal, realizando um tratamento por alguns dias seguidos, por meio de uma avaliação clínica para indicar o melhor medicamento”, alerta Priscila, acrescentando ser válido  procurar um especialista em comportamento animal, como adestradores, caso a ansiedade ou o medo sejam crônicos.

    De acordo com a professora aposentada Carla Duriez, o tratamento preventivo foi fundamental para a Golden Retriever Maya, de 3 anos. “Maya é muito medrosa e entrava em pânico com os estrondos. Ficava ansiosa e acabava se ferindo com grades e portas de vidro da casa. Agora, faz uso de medicamento controlado há um ano e ela está muito mais sociável e calma”, conta.

    Priscila complementa: “quando o animal tem muita fobia e fica muito ansioso, a gente receita medicação contínua para evitar acidentes, mas normalmente só medicamos na semana dos fogos e, se for o caso,  estendemos por todo o verão, por conta de chuva e trovoadas”, finaliza.

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