• O pescador e sua mulher

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  • 15/06/2016 12:00

    Lembro-me, quando criança, de momentos em que minha mãe me contava a história do pescador e de sua mulher.

    Ele, trabalhador, saía de casa ainda de madrugada em busca do sustento.

    Ela, do lar, porém altiva e ambiciosa, vivia feliz junto ao marido.

    Relembrando a história, é de se recordar que certa vez o pescador fisgou um peixe bem diferente daqueles que costumava pescar. E o peixe, tão logo fisgado, “falou” ao pescador: “solte-me, deixe que eu volte ao mar e receberá de mim toda a gratidão. Além do mais, consigo realizar muitas proezas e quem sabe um dia poderei lhe ser útil”.

    O pescador, de imediato, soltou-o e o peixe desapareceu sob as águas do mar.

    Chegando à casa, o pescador relatou o ocorrido à esposa.  Ela logo retrucou: “se o peixe pode, de fato, realizar maravilhas, que nos ajude e proporcione uma nova casa; a que moramos é precária e precisa de obras”.

    Peça ao peixe para nos ajudar!

    O pescador, no dia seguinte, partiu para a faina conseguindo fisgar o peixe.

    Premido pela esposa, pediu: “minha mulher gostaria de uma nova casa, argumenta que moramos num ambiente de pobreza”.

    O peixe, então lhe “disse”: “volte para seu lar e encontrará uma casa a gosto de sua mulher”.

    De volta do mar, depara-se com uma nova casa, sem grande luxo mas confortável e bastante aprazível.

    Transcorridos alguns meses, a mulher, não satisfeita, retrucou: “o peixe lhe deve a vida; peça a ele uma casa ainda melhor, mais confortável”; é certo que ele lhe atenderá!

    O marido, acabrunhado, acabou acatando o pedido partindo para o mar.

    Depois de fisgar o peixe, recebeu a promessa de que a mulher seria atendida, mais uma vez.

    De fato, quando retornou à casa, encontrou uma bela residência, luxuosa mesmo, própria de famílias bem situadas financeiramente, situação completamente diversa daquela vivida pelo casal.

    A mulher, todavia, era insaciável, nada lhe satisfazia e dirigindo-se ao marido exige: “meu marido, peça ao peixe e ele lhe atenderá, um palácio, muitos empregados, enfim, para que eu possa me considerar uma verdadeira rainha”.

    O pescador ouviu-a pensativo e envergonhado, e sem saber como se dirigir ao peixe, ainda assim atendeu, mais uma vez, ao pedido da mulher.

    Mas, dessa vez o peixe lhe disse: “deixe o mar e retorne à terra e quando lá chegar encontrará a casa em que viviam no passado, justamente, sem qualquer luxo, sem empregados e sem a “rainha”, sua esposa. 

    E o pescador deixando o mar acabou por encontrar, realmente, o casebre em que moravam. A mulher revoltada e muito zangada, argumentando que o marido não soubera se impor perante o peixe que lhe devia a vida.

    Moral da história, o marido continuou sua rotina feliz e contente até porque a vida que o peixe houvera lhe proporcionado de nada o agradou. A mulher continuava zangada e triste, porém, doente e infeliz, eis que a ambição de que foi acometida tornou-a uma criatura fria e desprovida de qualquer virtude que pudesse ser objeto de elogio.

    A verdade é que nem sempre a riqueza traz felicidade, às vezes muito pelo contrário e por esta razão lembrei-me do poeta quando escreveu: “É na modesta choupana, onde há pureza e humildade, longe da vida mundana, que mora a felicidade”.

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