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  • 07/05/2016 09:55

    Sergipe é o menor estado de nosso país e Lagarto, depois da capital, Aracaju, é a segunda cidade em termos demográficos e populacionais. Não é uma cidade bonita, e ao crescer desordenadamente pela periferia, ficou mais feia ainda, que me perdoem os Lagartenses. Porém, em termos literários, teve grande destaque no passado, através das obras e do prestígio dos escritores e acadêmicos Sylvio Romero, quem melhor escreveu sobre nosso folclore e literatura e Abelardo Romero, meu pai, jornalista e poeta modernista, contemporâneo e colega de Carlos Drummond de Andrade.

    O tempo passou e nunca mais a cidade teve algum destaque. Eis que agora, assim como uma Fênix, Lagarto renasceu das cinzas e passou a ocupar o noticiário através de um de seus filhos, o juiz Marcel Montalvão que, valendo-se de um processo judicial movido por ele, conseguiu bloquear e suspender o aplicativo WhatsApp por 72 horas, em decorrência de uma investigação de tráfico de drogas em sua cidade.  De acordo com o que saiu publicado num dos principais jornais do país, o parecer do juiz faz parte do mesmo processo que, no início de março, pediu a prisão do vice-presidente do Facebook para a América Latina.

    Procurando não entrar no mérito da questão, reconheço que o Excelentíssimo juiz Dr. Marcel Montalvão conseguiu alguns momentos de fama, assim como recolocar Lagarto no mapa do Brasil. Porém, os cem mil habitantes da cidade, muito dos quais usuários do aplicativo em questão, não gostaram nadinha da medida, que foi considerada pelos advogados como desproporcional e extrema e que veio prejudicar mais de cem milhões de usuários brasileiros. Feliz, ao ver seu nome com grande destaque na mídia, o juiz, antes de tirar folga na segunda-feira e de não ser encontrado, declarou que não ia se manifestar a respeito do assunto.  A situação é tão trágica, tanto quanto ridícula e bizarra, a tal ponto que no meio da tarde o site do Tribunal de Justiça de Sergipe caiu. Provavelmente tenha sido vítima de um furioso ataque dos hakers que, insatisfeitos, queriam saber por que estavam sendo tolhidos no seu direito. O fato é que Lagarto, cidade em que na minha adolescência vivi momentos muito felizes, não merecia ter passado por essa vergonha.

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