Walter Copacabana

  • 02/02/2016 11:10

    O Carnaval está na rua e o coração do povo estampa alegria incontida no riso dos palhaços, no amuo dos pierrôs, no dengo das colombinas, na caretice dos piratas, no bater dos ossos dos esqueletos, no desfilar majestoso das coreografias multicoloridas das escolas de samba e blocos…

    A alegria domina tudo e os sons vibrantes marcam os compassos das melodias, enquanto cada folião trejeita evoluções arriscadas, embaralhando pernas em acrobacias de extremas ousadias.

    O Carnaval aí está, somente na alma dos foliões, porque é deles a festa, a catarse, cada momento de escape da difícil vida de todos os dias.

    Ainda nos preparativos para a festa, um violão calou para sempre, não esperando a passagem de mais um Carnaval.

    O violão de um mestre, poeta e cantor, Walter Copacabana ou Walter Faria Pacheco, natural da localidade de Andrade Araújo, município de Nova Iguaçu, filho de Augusto Bonifácio de Azevedo Pacheco e Rosa de Faria Marcelino, Bacharel em Direito e Administração, advogado militante com passagem pela presidência da OAB de Nova Iguaçu e Procurador do IAPAS.  

    Na política, vereador, deputado estadual, secretário de Educação e Cultura e secretário de Transportes e Comunicação do Estado do Rio de Janeiro.

    Comunicador de talento, radialista, compositor de música popular, violonista e cantor, criador do Quarteto Copacabana, atuante nas Rádios Mayrink Veiga, Guanabara e Globo, nas décadas de 1940/1950, deste conjunto adotando seu nome artístico de Walter Copacabana, com belíssima carreira e CDs gravados com suas inspiradas composições: “Mulher Moderna” e “Coração Sonhador”.

    Poeta sensível e perfeito sonetista, editou três livros: “Sussurros d´Alma”, “Alma e Coração“ e “Musa Serrana”, este último com poemas escritos em Petrópolis, cidade que escolheu para viver. Por aqui, integrou o quadro acadêmico das Academias Petropolitana de Letras e de Poesia Raul de Leoni. Eu fui obsequiado com a honra de recebê-lo na Academia de Letras, quando de sua posse na cadeira nº 34, patronímica de Rocha Pombo, no dia 16 de outubro de 2009 e, daí para diante, tornamo-nos fraternos amigos.

    Na proximidade de completar 90 anos de existência, Walter partiu para as harmonias celestes, que já o receberam e festejam tão nobre vida, de tanta beleza, amor, sentimento, poesia e música.

    O violão de Walter Copacabana repousa a um canto de seu apartamento, enquanto o artista entoa as composições que, doravante, cria para os concertos dos justos e bondosos anjos, sua plateia, seu prêmio eterno.

    Enquanto os tamborins, as cuícas, os tambores vibram nas passarelas do samba e já com saudade imensa do seresteiro romântico.

    Últimas