Vistoria da Defensoria Pública aponta problemas no Hospital Alcides Carneiro. Sehac tem 10 dias para se manifestar

22/fev 10:00
Por Luana Motta

Carência de equipe médica pediátrica, farmacêutico e até auxiliar de limpeza foram alguns dos apontamentos feitos no relatório elaborado pela equipe técnica da Defensoria Pública, a pedido do 8º Núcleo Regional de Tutela Coletiva de Petrópolis, durante uma vistoria feita em janeiro deste ano, no Hospital Alcides Carneiro. O documento que aponta uma série de problemas técnicos e estruturais na unidade foi apresentado na última semana ao Serviço Autônomo do Hospital Alcides Carneiro (Sehac) que terá 10 dias, a contar desta segunda-feira(22), para se manifestar.

Entre os problemas encontrados, o relatório aponta a ausência de um farmacêutico plantonista durante o dia na farmácia do Sehac. Assim como havia falta de medicamentos no estoque da unidade na ocasião da vistoria. Haviam problemas com o serviço de higienização no hospital, segundo o relatório, no dia da visita, em 12 de janeiro, só haviam três auxiliares de limpeza trabalhando no período diurno em todo o hospital.

Na pediatria, inaugurada em julho do ano passado, a ala estava sem climatização. O que foi apontado pela equipe da Defensoria Pública, como um risco alto para os pacientes, tendo em vista a situação de pandemia do coronavírus. Além disso, também foi apontada carência de profissionais médicos para atender os pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) NeoNatal e Infantil no período diurno. Também foi apontada a carência de equipe médica atender na urgência e emergência da unidade. No relatório, representantes do Sehac afirmam que há dificuldades em contratar equipe médica devido a baixa remuneração ofertada.

Há falta de leitos de clínica médica e má conservação estrutural do prédio. No ano passado, as obras no HAC se concentraram na maternidade e na ala pediátrica, ficando para trás o restante da unidade, áreas de usos dos funcionários, como banheiros e refeitório. Na ocasião da visita, a Defensoria alertou sobre a necessidade de ter uma equipe que ofereça o serviço de engenharia médica no hospital para fazer a manutenção frequente dos equipamentos. A exemplo dos equipamentos de ressonância magnética e tomógrafo que ficaram quebrados por quase quatro meses e só foram consertados há duas semanas.

As primeiras solicitações com base na vistoria foram encaminhadas ao Sehac no fim de janeiro. O Sehac reconheceu os problemas apresentados na vistoria e informou que alguns já haviam sido solucionados neste ano, após a visita. Todo esse trabalho tem sido feito pelos defensores públicos do 8º Núcleo de Tutela Coletiva de Petrópolis Andrea Carius e Marcílio Brito. Segundo a Defensoria, após a manifestação do Sehac e Prefeitura será feita uma nova vistoria pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) e pela Vigilância Sanitária. Também será proposto ao município e ao Sehac um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) exigindo prazo para cumprimento de determinadas obrigações, o que vai depender o resultado da nova manifestação.

A Tribuna entrou em contato com o Sehac e com a Secretaria Municipal de Saúde sobre os apontamentos feitos na reportagem. Em nota, a Secretaria respondeu:

“A Secretaria Municipal de Saúde informa que desde janeiro vem trabalhando de maneira enérgica para resolver problemas identificados no Hospital Alcides Carneiro. Muitas das demandas foram atendidas já no início da administração interina da Prefeitura, com liberação de recursos ao Sehac para reabastecimento do estoque e reparos nos equipamentos de tomografia e ressonância, encontrados sem manutenção e inoperantes (estes já voltaram a operar).

Segundo a direção do Sehac, o serviço de limpeza é feito por equipe com 60 funcionários. Sobre a climatização da UTI Pediátrica, a direção do Sehac esclarece que o aparelho apresentou problema um dia antes da vistoria, mas isso não interferiu no funcionamento da unidade, garantido com o uso de cinco aparelhos de ar-condicionado portáteis. A direção do Sehac já adotou as medidas necessárias para a compra de peças e o reparo no equipamento.

Sobre os leitos, o Sehac e a Secretaria de Saúde esclarecem que não houve interdição, e sim remanejamento de leitos, que passaram a ser utilizados por pacientes de ortopedia que precisam de internação. A mudança, feita ainda no ano passado, foi necessária em função da pandemia, quando o Hospital Nelson de Sá Earp, que atendia a especialidade, passou a ser utilizado exclusivamente para atendimento de pacientes com sintomas de covid-19. Neste ano, a Prefeitura não mediu esforços para liberar vagas não covid no Hospital Clínico de Corrêas de forma a atender a demanda no município.

Sobre a conservação do hospital, a direção do Sehac lembra que intervenções para melhorias na estrutura da unidade começaram a ser feitas no ano passado, em parceria com a Faculdade de Medicina de Petrópolis, tendo sido concluídas as intervenções na maternidade e setor de pediatria. O projeto prevê intervenções em outros setores da unidade, como enfermarias e cozinha. A Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, segue em contato diário com a direção do Sehac, na busca de resolver também as demais demandas, de forma a garantir o pleno funcionamento deste que é o maior hospital público do município”.

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