Visita aos idosos

  • 11/05/2016 10:35

    Tudo foi muito bem combinado entre o grupo que, na véspera do dia das mães, havia decidido visitar os idosos que se encontram em um abrigo localizado em Itaipava.

    Capitaneados sempre pela senhora que incentiva o grupo, com o objetivo de tão saudável e humana prática, os primeiros passos foram traçados nos quinze dias que precederam à comemoração da data festiva.

    Pois bem, no sábado, dia sete, partimos todos nós, às treze e trinta horas, portando presentes, bolos gostosos, salgados, refrigerantes, seguindo em direção daqueles que, inclusive, já nos aguardavam.

    Às vezes, chegamos a pensar que os idosos sequer notariam a presença dos visitantes. Mero pensamento infundado.

    Em se chegando à casa, percebe-se que o ambiente é um misto de alegria e, se bem podemos avaliar, de tristeza ou de alheamento à situação em que vivem.

    Todavia, a condutora da equipe adentra ao local com todo o grupo e todos passamos a abraçar um a um, inclusive procurando o diálogo com os mesmos.

    A seguir os cânticos religiosos e as músicas populares mais antigas que muitos, pensamos nós, devessem se recordar.

    E o encontro prosseguiu e acabamos por constatar: uns nos acompanhavam batendo discretamente sobre a mesa, como se estivessem seguindo a música; outros, cantando junto conosco e outros, ainda, apenas balbuciando os lábios.

    Percebe-se, claramente, entretanto, a total indiferença de alguns com relação ao que se passa no ambiente, já que mais debilitados pelo mal que os acomete. Outros mais com o olhar inteiramente perdido, parecendo-nos mirar o passado que não volta mais.

    Chegado o momento do lanche as zelosas cuidadoras preparam os idosos e alguns são conduzidos à mesa pelas mesmas, já que as pernas de muitos não mais respondem.

    Triste quadro que se nos afigura.

    Em conversa com alguns deles, ou seja, aqueles que ainda guardam boa memória, falavam sempre nos tempos passados, na família, especialmente os filhos e os esposos e esposas que já se foram.

    Percebemos que quanto mais os ouvíamos mais o nosso coração se partia. Às dezesseis e trinta horas decidimos retornar à Petrópolis.

    A despedida, um deles nos chama em voz alta e exclama: “conforme lhe pedi, na próxima vez que vier, traga os chaveiros ou mesmo as chaves; sou colecionador!”.

    Já à porta voltamos e lhe dissemos: traremos sim, pode aguardar.

    Uma pergunta quedou no ar com relação àqueles que sequer esboçaram um sorriso ou que hajam balbuciado os lábios enquanto cantávamos.

    Teriam percebido algo do que se passava? Teriam entendido a razão de nossa visita?

    E chegamos à conclusão que sim, entendendo que, se muitos deles não conseguiram nos acompanhar nas músicas, nas palmas, ou sequer esboçar um sorriso ou um mero balbuciado nos lábios, certamente tiveram os seus corações batendo mais forte.

    Foi, pois, como puderam nos entender e nós a eles!


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