Vinícola Inconfidência: parada obrigatória, às margens da Estrada Real, para os amantes de bons vinhos

  • Por Aghata Paredes

    Você já ouviu falar na Vinícola Inconfidência? Às margens da Estrada Real, no limite do distrito de Inconfidência, antiga Sebollas, e Secretário, curiosos e amantes de bons vinhos podem prestigiar uma belíssima vinícola. 

    Em 2010, segundo o proprietário do local, a ideia era dar início ao projeto de plantação de uvas e à produção de vinhos, dependendo dos resultados das parreiras após o seu plantio. Para isso, foram escolhidas as uvas Cabernet Sauvignon, Sauvignon Blanc, Cabernet Franc, Merlot e Syrah. “Plantamos essas cinco variedades e ficamos aguardando o processo de adaptação. Ao mesmo tempo, tínhamos a consultoria do Murillo Albuquerque Regina, agrônomo que, voltando da França, desenvolveu uma técnica chamada de dupla poda. Ficamos aguardando os três primeiros anos, observando como essas uvas iriam se comportar, já que na região não havia histórico de plantio de uvas.”, conta José Cláudio.

    Foto: Divulgação

    Após 8 anos de história, além da viticultura, o espaço passou a realizar também o processo industrial de vinificação dos seus vinhos. Foi a partir daí que nasceu a primeira vinícola integrada do estado do Rio de Janeiro.

    Questionado sobre o dia a dia na Vinícola Inconfidência, José Cláudio diz que o trabalho é intenso. “O dia a dia no campo é muito duro. Trabalhamos os doze meses do ano. Só para você ter uma ideia, o Rio Grande do Sul é a maior referência para o Brasil em produção de todos os tipos de uvas. Lá, as parreiras são podadas em agosto e as uvas são colhidas normalmente no início do ano seguinte, em março. Posteriormente, elas são levadas para a cantina – local onde o vinho é produzido. Depois disso, vem o outono e o inverno e as parreiras ficam vegetando por conta das baixas temperaturas. Em agosto, começa a primavera e aí o ciclo recomeça. No Sudeste, inclusive aqui na Inconfidência, o processo é bem semelhante. Só as faixas de início de um ciclo é que podem variar.”

    Em agosto, segundo a equipe da vinícola, a Inconfidência inicia a sua poda; as uvas passam a formar os cachos, que são retirados com o objetivo de evitar a perda de energia das plantas que iriam ser colhidas em janeiro e fevereiro. Depois, essas parreiras recebem cuidados. Quando chega o mês de fevereiro é iniciada a segunda poda para produção. As uvas são colhidas, geralmente, na última semana de junho ou julho. Depois disso, no final de agosto, elas entram em descanso para que venha o segundo ciclo. “Sendo assim, são realizadas duas podas. Na primeira, descartamos tudo. Na segunda, colhemos as uvas.”, explica José. 

    Fotos: Divulgação

    O acompanhamento da produção de vinhos é realizado por um especialista, o enólogo. Segundo a equipe da vinícola, uma boa uva significa qualidade e sanidade. As uvas precisam ter as características próprias do seu tipo de parreira e as condições de equilíbrio entre açúcar e acidez.

    Um breve resumo das etapas de produção 

    Do campo, as uvas tintas vão para a cantina. Lá, elas passam por uma série de processos. Primeiro, por uma máquina que separa as uvas da parte que forma o cacho. Depois vão para uma mesa seletora, onde são separados os resíduos, galhos e as folhas, por exemplo. Depois disso, as uvas passam por uma bomba que leva as frutas para os tanques de fermentação. Nesta etapa, o açúcar contido nas frutas é transformado em álcool e a temperatura, que não deve passar da faixa de 32º, é constantemente verificada. Uma informação interessante é que a quantidade de álcool contida no vinho é proporcional à quantidade de açúcar contida na uva. Depois disso, há uma série de processos para obter cor, aroma, corpo equilibrado, tudo para agradar aos amantes de um bom vinho. Para o outono, segundo José Cláudio, os vinhos tintos são ótimas opções.

    O crescimento do cultivo de uvas em regiões próximas à Vinícola Inconfidência 

    Foto: Divulgação

    José Cláudio é um entusiasta quando o assunto é a criação de um polo de enoturismo. “Quando começamos esse projeto todos achavam que era uma ideia maluca ter um vinhedo. Atualmente, nas regiões de Petrópolis, Areal, Teresópolis, Friburgo, Paraíba do Sul, São José e Paty do Alferes, nós temos dezenas de pessoas com plantação de uvas. Algumas estão colhendo uvas pela primeira vez este ano; outras já colheram no ano passado. Daqui a 3 ou 4 anos, vamos ter um nível de atividade relacionada à produção de uvas e vinhos muito grande. Torço para que o ramo cresça e para que, daqui a alguns anos, tenhamos mais vinícolas. Assim, no futuro, os turistas não vão visitar apenas uma, mas diversas vinícolas nestas regiões.” 

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