Um ano realista esperançoso

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  • Por Aghata Paredes

    Se você pudesse escolher uma só palavra para definir o seu olhar sobre o início de um novo ano, qual seria?

    Ariano Suassuna, dramaturgo, romancista, poeta e professor, nos presenteou com uma reflexão sobre o seu olhar sobre o mundo. Quando questionado, durante uma entrevista, se ele era um pessimista ou otimista, Suassuna, brilhantemente, respondeu: “o otimista é um tolo, o pessimista, um chato, melhor mesmo é ser um realista esperançoso.”

    Esperança pode não ser a palavra-chave de muitas pessoas para este ano e os motivos também podem ser diversos. Não convém aqui enumerá-los, mas talvez a reflexão sobre o privilégio de vivenciar o que agora se desdobra diante dos nossos olhos, como quando se abre um presente, aquele momento em que você não sabe muito bem o que está tão bem embrulhado, mas sente uma euforia bonita pelo que está por vir, seja uma analogia bem-vinda para começar o ano.

    Aproveitar o momento presente, este minuto em que a respiração pode ser notada, de forma leve e pausada, torna a vida mais potente.

    Não é que o passado seja colocado numa caixinha, guardada a sete chaves. É que ele deixa de ser o protagonista e passa a ocupar um novo lugar, nos bastidores da grande peça da vida – onde os aprendizados são vivenciados constantemente sem que, muitas vezes, o grande público presencie o que foi aprendido.

    Quando vivemos verdadeiramente o momento presente e enchemos o coração de esperança, mesmo que isso nos custe algum esforço, compreendemos a grandeza de estarmos vivos.

    Devagarinho, quando vivemos o momento presente e enchemos a conversa de esperança, mesmo que isso nos faça presenciar um rosto meio emburrado, compreendemos a grandeza de apresentar a alguém uma outra perspectiva.

    Ao encher o coração de esperança e, ao mesmo tempo, viver o momento presente, enxergamos o grande aprendizado em torno do realismo esperançoso de Suassuna.

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