Três funcionárias da creche onde Maria Thereza morreu são indiciadas por homicídio culposo

  • Continua após o anúncio
  • Continua após o anúncio
  • Médica que liberou corpo do bebê também foi indiciada, por tentar “minimizar danos à imagem da municipalidade”

    03/jul 22:55
    Por João Vitor Brum

    A diretora e duas funcionárias que estavam com a bebê Maria Thereza no CEI Carolina Amorim foram indiciadas por homicídio culposo pela Polícia Civil, em inquérito que aponta o despreparo emocional e técnico da unidade de ensino para o primeiro atendimento à criança. Além disso, a médica que assinou o atestado de óbito da bebê irá responder por prevaricação, pois, segundo a Polícia Civil, o corpo não poderia ter sido sepultado sem seguir os trâmites legais, já que não se tratava de uma morte natural. Maria Thereza morreu no dia 22 de maio, após engasgar com uma maça em uma creche da Prefeitura de Petrópolis.

    O Delegado João Valentim, titular da 105ª DP, informou em entrevista ao Fantástico neste domingo que, se um serviço de socorro eficiente tivesse sido prestado, a criança ainda poderia estar viva. 

    O inquérito aponta que a criança foi vítima de uma série de erros. De acordo com os depoimentos, Maria Thereza estava em um carrinho de bebê quando uma funcionária ofereceu um quarto de uma maçã à criança, e depois que ela comeu, colocou a criança no chão da sala com outras crianças e saiu do ambiente para retirar o carrinho e ir ao banheiro.

    Então, uma outra funcionária que também estava na sala, resolveu fechar a porta da sala e notou que Maria Thereza estava deitada e chorando. Só então, perceberam que a criança estava engasgada e, depois, uma professora chegou, realizou manobras de primeiros socorros e levou a criança para a sala da diretora, momento em que o Samu foi acionado. As informações foram exibidas na edição deste domingo do Fantástico, da TV Globo.

    No atendimento por telefone, outro problema foi identificado no inquérito, que indicou que o médico do Samu foi “lento e repetitivo”. Como a Tribuna noticiou anteriormente, enquanto a criança ainda estava na creche, a mãe de um outro aluno chegou e presenciou a cena, e pediu socorro em uma escola técnica, onde uma profissional se prontificou a ajudar. Só então, Maria Thereza foi levada para a Upa.

    A Polícia Civil aponta que se passaram pelo menos 14 minutos entre o engasgo e a entrada da criança da Upa, mesmo com a creche a 3 minutos de carro da unidade de saúde e a 200 metros de um outro posto de saúde.

    Um outro problema encontrado durante as investigações é que uma lei federal, de 2019, não estava sendo cumprida na creche. A legislação pede que todos os profissionais recebam treinamento de primeiros socorros anualmente. Entretanto, apenas uma professora da creche tinha um certificado – com data de 2018, também irregular.

    Fato também noticiado pela Tribuna e mencionado na reportagem da emissora foram as câmeras de segurança da creche. Quando questionada pela mãe de Maria Thereza sobre as imagens, a diretora teria bloqueado mãe da criança em um aplicativo de mensagens. 

    Além disso, a Tribuna questionou por pelo menos quatro vezes a Polícia Civil sobre as imagens, mas obteve diferentes respostas. Em um primeiro momento, foi informado que as imagens estariam sendo analisadas, mas depois, a assessoria informou não ter imagens. Na reportagem exibida no Fantástico, havia imagens do momento em que a criança deu entrada na Upa, mas a Polícia Civil não informou se era a essas imagens que estava se referindo na primeira resposta.

    Últimas