SP: variante preocupa, mas não é principal causa do pico nas UTIs, dizem médicos

23/fev 13:30
Por Érika Motoda e Marco Antônio Carvalho / Estadão

Especialistas afirmam que a falta de testagem e de sequenciamento genético de amostras dos infectados no Brasil são barreiras para entender o peso das novas mutações do Sars-CoV-2 na alta de internações de pacientes com a covid-19, mas acreditam que a influência dessas variantes ainda está no início. Em São Paulo, o total de pacientes na UTI é recorde na pandemia. Também preocupam as aglomerações vistas nas últimas semanas, como nas festas de ano-novo e no feriado do carnaval.

O infectologista Max Igor Lopes, do Centro de Infectologia do Hospital Sírio Libanês, acredita que os efeitos das variantes podem estar no começo. “Ainda não tínhamos essas variantes quando a segunda onda começou (fim de 2020). Começamos a ter a contribuição das variantes agora e em localidades específicas”, diz. “O que acontece é que temos um grande número de casos e, agora, essas variantes começam a ocupar porcentual maior deles.” Pelo menos dez Estados já registraram a cepa amazônica do vírus, cujos estudos iniciais já apontaram maior potencial de transmissão.

O coordenador do Centro de Contingência da covid-19 de São Paulo, Paulo Menezes, disse que a variante de Manaus é um “fator de muita preocupação”. “Entendemos que a circulação da variante ainda tem uma proporção pequena, mas se ela for de fato mais transmissível é algo que pode contribuir para o recrudescimento de casos, internações e mortes”, afirma. Ele aponta que as medidas restritivas são a única forma de reduzir a transmissão, mas que o balanço é difícil diante do impacto na vida das pessoas.

De acordo com especialistas, o aumento de internações está relacionado com o afrouxamento das medidas de isolamento social, como aglomerações e reabertura de setores econômicos, além de viagens e festas durante o fim de ano e o carnaval.

Para Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, não dá para “prever” a situação de outras cidades com base em Manaus e Araraquara, pois a letalidade é dependente não só da alta circulação, mas da capacidade de atendimento hospitalar em cada região.

“Mas os ingredientes para termos o aumento estão todos aí: permeabilidade muito grande nas fronteiras no País, a gente não faz ‘lockdown’, os voos saem direto de Manaus para lá e para cá, as medidas de isolamento não têm grande adesão da população. A quantidade de pessoas não vacinadas ainda é enorme. Então, a produção de variantes Brasil afora é fato”, afirma Kfouri.

Últimas