Setembro Verde: Hospital da Criança atinge o centésimo transplante renal

14/set 11:15
Por Redação/Tribuna de Petrópolis

No último dia 29 de julho, Marcos Rosemberg da Silva, de 17 anos, passou a ter duas datas de nascimento. A primeira do cartório, em 2004, quando nasceu, e a segunda com a realização do transplante renal no Hospital Estadual da Criança (HEC). Foi o centésimo transplante do HEC, o que coloca a unidade em um patamar de excelência nessa categoria entre os principais hospitais de referência do país. A boa notícia abre o Setembro Verde, mês em que se destaca a importância da doação de órgãos para salvar vidas.

Após um ano e meio de espera por um órgão compatível, a busca por um rim chegou ao fim para o adolescente do Jacarezinho, comunidade fincada na Zona Norte carioca, que sofria de Síndrome Nefrótica (caracterizada por um distúrbio nos rins que provoca a perda de altos níveis de proteínas pela urina). O transplante durou cerca de três horas e mobilizou dez profissionais de saúde (cirurgiões, anestesistas, enfermeiros, entre outros). No dia 24 de agosto, o paciente voltou à unidade, depois da alta, para consulta e exames de rotina.

“É um recomeço, uma vida nova. Fiquei dois anos sem estudar devido à doença e à pandemia e retornei com o curso de designer gráfico. Meu desejo é cursar Medicina e me especializar em nefrologia para ajudar as pessoas da mesma forma que fui ajudado no Hospital da Criança”, disse o adolescente.

O primeiro sinal da doença do filho, segundo Lucilene Oliveira da Silva, 37 anos, foi quando ele tinha nove anos de idade.

“Marcos começou a apresentar inchaço no rosto, pernas, braços, pés, cansaço e pressão alta. Outro problema era a restrição para ingestão de água. Ele só conseguia beber cerca de 200 ml de líquido por dia. Com o transplante, meu filho passou a beber água à vontade. Só tenho a agradecer a todos do hospital pelo atendimento que começou em março de 2020, quando ele foi regulado para o HEC”, destacou Lucilene Oliveira, que trabalha em uma barraca na Praia do Leblon, vendendo bebida e alugando cadeiras.

“O Brasil é o primeiro país do mundo em número de transplantes de órgãos feito pelo sistema público de saúde. No Hospital da Criança nos especializamos também em transplantes renais pediátricos de baixo peso, que são os que têm menos de 15 quilos. Por isso, temos tido grande demanda. O centésimo caso foi o Marcos, com o transplante renal. Fico muito feliz em poder ajudar as pessoas e honrado de participar dessa equipe de profissionais comprometidos com a excelência de atendimento do SUS. É emocionante ver quantas crianças conseguimos dar uma chance de vida”, ressaltou Ricardo Ribas, coordenador de cirurgias de Transplantes Renais do HEC.

Mesmo com a pandemia, o Hospital da Criança nunca deixou de realizar uma cirurgia de transplante por falta de profissional ou pelo momento delicado da doença.

“Sempre mantivemos o foco e a disposição para trabalhar, não importa a hora nem o dia. O que vale são as histórias que continuam a ser escritas nas vidas dos nossos pacientes”, afirmou o diretor de Qualidade do hospital, o médico Lúcio Abreu.

O HEC atende crianças e jovens de 0 a 19 anos, sendo a primeira unidade pública pediátrica no estado voltada para cirurgias de média e alta complexidade, além do tratamento oncológico e transplante renal e hepático. Acreditada com o Nível 03 de Excelência na segurança do paciente pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), desde sua inauguração, já foram realizados cerca de 77.790 procedimentos cirúrgicos, 295.049 consultas, 219 transplantes (119 hepáticos e 100 renais).

Ao longo do mês de setembro, para reforçar para a população a necessidade da doação de órgãos para salvar vidas, a Secretaria de Estado de Saúde promoverá uma série de ações, que culminarão no dia 27, data nacional da Doação de Órgãos, quando mudas serão plantadas no Hospital Alberto Torres, onde há o Jardim do Doador. A ação fortalece a mensagem de que a doação, da mesma forma que as plantas, dão frutos e flores.

Importantes prédios do estado também serão iluminados com a cor verde, símbolo da doação de órgãos. Dia 24 será a vez do Palácio Guanabara, sede do governo estadual, e no dia 27, os Arcos da Lapa, a Igreja da Penha e o Maracanã, entre outros.

PET é referência na captação de órgãos no Brasil

Criado em 2010, o Programa Estadual de Transplantes (PET) realiza a captação de coração, fígado, rim, pâncreas, pulmão, pele, córnea, etc. Em 11 anos, o programa foi responsável pela renovação da vida de mais de 6.900 pessoas por meio de transplantes de órgãos sólidos (categoria que engloba os transplantes de fígado, pulmão, intestino, rim, pâncreas e coração) e recuperou a saúde de inúmeros pacientes com transplantes de ossos, ligamentos e pele.

Em 2020, 1.074 transplantes foram feitos, sendo 376 córneas e 698 de órgãos sólidos. Destes, 22 eram de coração, 270 de fígado e 384 de rins, além de um transplante simultâneo de coração e rim, 10 de rim e fígado e 12 de rim e pâncreas. O Estado do Rio ocupa o 3º lugar em número absoluto de doadores no ranking do Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

De janeiro a julho de 2021, foram realizados 748 transplantes de órgãos, sendo 346 córneas transplantadas, 14 corações transplantados, 157 fígados, 220 rins; além de 9 cirurgias simultâneas de rins e pâncreas, 1 simultânea de rim e coração, 2 simultâneas de rim e fígado, 1 transplante triplo de rim, fígado e coração e uma multivisceral (fígado, pâncreas e intestino transplantados simultaneamente) e um transplante paratireóide.

Transplante de pulmão volta a ser realizado

Há 15 anos, não se fazia transplante de pulmão no estado. Neste ano, em julho, a Secretaria de Estado de Saúde habilitou a equipe de transplante de pulmão do Instituto Nacional de Cardiologia. Com a capacitação, o Rio de Janeiro passou a ser o terceiro estado do país a realizar esse tipo de transplante.

Em 2020, ao menos 50 pessoas pelo país foram beneficiadas por um único doador de órgãos, que após acidente de moto foi levado para o Centro de Trauma do Hospital Estadual Alberto Torres (HEAT), em São Gonçalo. Daí, a importância de se incentivar a doação.

Para fazer a doação dos órgãos é preciso informar o desejo à família, pois a doação só ocorre com a autorização dos parentes próximos.

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