• Sequestro de empresário espanhol sem SP: 3º policial é preso

  • 03/abr 19:30
    Por Caio Possati / Estadão

    A Polícia Civil de São Paulo prendeu um terceiro policial suspeito de envolvimento no sequestro do empresário espanhol, de 25 anos, mantido refém em um cativeiro em Mogi das Cruzes, na Grande SP. O caso aconteceu no início da semana passada, na segunda-feira, 24.

    A vítima, Rodrigo Perez Aristizabal, relatou às autoridades que ficou sob o domínio dos sequestradores por cinco dias, até sábado, 29, quando conseguiu escapar. Ele disse que chegou a ter cerca de US$ 50 milhões de dólares desviados das suas contas bancárias – cerca de R$ 280,3 milhões na cotação atual.

    A identidade do agente detido não foi informada e, por isso, não foi possível localizar a sua defesa. Dois outros policiais, um militar da reserva e um civil, já tinham sido detidos. A Divisão Antissequestro do Departamento de Operações Policiais Estratégicas (Dope) investiga o caso.

    O terceiro agente, também policial civil, estava foragido. Ele foi capturado na noite da última quarta, 2, e preso temporariamente, segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado (SSP-SP).

    Ainda conforme a pasta, a Corregedoria da Polícia Civil apontou a participação de sete suspeitos ao todo no caso, incluindo a namorada da vítima, Luana Bektas Lopez, do Paraguai. A defesa dela não foi localizada. A SSP-SP disse, em manifestações anteriores, que não tolera desvios de conduta.

    “Uma ex-namorada da vítima também é alvo das investigações, que prosseguem sob responsabilidade da Divisão Antissequestro do Dope e das Corregedorias das Polícias Civil e Militar para o completo esclarecimento dos fatos”, informou a secretaria, em nota.

    Empresário espanhol foi mantido refém por cinco dias

    O crime aconteceu no início da semana passada. O empresário Rodrigo Perez Aristizabal relatou à polícia, sem conseguir precisar o dia, que voltava de uma padaria para o seu apartamento, no Ipiranga, zona sul da cidade, quando foi abordado por dois homens que estavam em uma camionete preta com a logomarca da Polícia Civil.

    Ele foi chamado pelo nome. Ao responder, os supostos agentes teriam dito que eram da polícia internacional, e o colocaram à força no veículo. Os suspeitos estavam usando uniforme da Polícia Civil, segundo o boletim de ocorrência. O caso teria acontecido entre na segunda, 24, ou terça-feira, 25, conforme o relato do empresário.

    Aristizabal foi levado para um cativeiro, em uma área de mata em Mogi das Cruzes. Ele relata que teve de tomar remédio para dormir e que passou a ser extorquido pelos sequestradores. De acordo com a vítima, os suspeitos teriam desviado uma quantia de US$ 50 milhões da sua conta – cerca de R$ 280 milhões na conversão atual.

    Conforme o registro policial, no sábado, ele conseguiu escapar do cativeiro depois de colocar, escondido, o remédio tranquilizante em uma bebida que estaria tomando acompanhado de um dos sequestradores, de quem teria conseguido a confiança.

    O espanhol conseguiu se libertar das algemas, escapar do cativeiro, e acessar um restaurante, onde acionou a PM. Os agentes foram ao lugar onde o empresário era mantido como refém e encontraram um dos sequestradores no local do crime. Aos policiais, o agente confessou a participação no crime e foi preso em flagrante.

    Participação da namorada

    A Corregedoria da Polícia Civil investiga a participação da namorada de Rodrigo Aristizabal no crime. O espanhol relatou à polícia que Luana Bektas teria aparecido no local do cativeiro em um dos dias em que esteve sob o domínio dos bandidos.

    Ainda conforme o registro policial, o empresário teria percebido, no dia do sequestro, que a companheira estava trocando mensagens no celular com um contato identificado como “Thor”, com quem ela já teria conversado em outras oportunidades, escondida do empresário.

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