Santa Cecília – Nova Vida

08/jan 09:35
Por Joaquim Eloy dos Santos

Estou de volta à presidência da Escola de Música Santa Cecília. Algumas décadas passaram desde que exerci o mesmo cargo na instituição de Paulo Carneiro. Em seguida, cumpri mandatos nas diretorias e sempre integrante do Conselho Deliberativo jamais faltei com minha presença e parceria na veterana Escola.

Nela estou umbilicado desde que nasci porque no ano de 1935, no momento de minha aurora no horizonte da vida, meu saudoso pai Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos III era o presidente e teve que abandonar a reunião com a diretoria reunida no velho casarão-sede, para deslocar-se, apressadamente subindo a rua Teresa, adentrando o quarto onde eu já levara as protocolares e necessárias palmadas e mugia irritado pela perda do aquecido ventre que me gerara com muito amor e me lançara no estranho mundo das ranhuras de um meio ambiente desconhecido.

Dai para diante foi um acompanhar o pai, bem seguro por mãos fortes, nos caminhos da vida e, em particular, pelas dependências do “cineminha poeira” e das salas e corredores das poucas salas que compunham o prédio. Desde pequeno assisti deliciosos filmes de faroeste, seriados, comédias e, no palco, as peças representadas pelos grupos cênicos amadores que a Escola abrigava e incentivava. Na infância, frequentei e terminei o curso de teoria e solfejo e, na adolescência, atuei como bilheteiro do cinema. Não segui os estudos de música, mas muito me encantei com as fitas cinematográficas e as peças de teatro. No início do ano de 1949, o casarão foi demolido e erguido no mesmo espaço o Edifício Paulo Carneiro e seu magnífico teatro, com inauguração, no ano de 1955, da magna Casa de Espetáculos e em obras de acabamento o restante do conjunto.

No novo palco estreei no teatro, contribuindo para a organização e fundação do grupo cênico amador Teatro Experimental Petropolitano, atuando na primeira peça “A Canção dos Indigentes” de R. Heitor de Souza e, em seguida, integrando todos os espetáculos do grupo, como ator, diretor administrativo, diretor de cena, enfim, desabrochou em minha vida uma vocação de amor, coragem e entrega absoluta. E, a Escola de Música, como cenário, abrigou a cena teatral petropolitana, mesmo quando a casa da música viu-se na contingência de alugar o teatro, pelo prazo de 20 anos, à empresa de Gastone Sorrentino para dotar a cidade de mais um cinema: o “Art-Palácio”. Estava eu na presidência da Escola quando terminou o contrato, o cinema encerrou suas sessões e o teatro voltou para o “Santa Cecilia”.

Essa digressão meio histórica e de muito sentimento procura explicar a minha relação com a Escola, onde meu pai Joaquim Heleodoro III esteve à frente da administração por três décadas corridas; eu nela estou inserido desde a infância, assim como meu saudoso irmão Paulo Gomes dos Santos, nós presidentes administrativos cada qual beirando quase uma década de direção e muito empenho pela obra.

Retorno por estar vice-presidente em momento trágico da morte do presidente Mauro Carneiro Senna, nome de um grande administrador, de imenso amor pela obra de Paulo Carneiro e presidente nos anos desse novo século, com trabalho edificante e progressista. E nunca demais repetir que os cargos de direção na entidade são exercidos gratuitamente, por puro idealismo e crença nos objetivos artísticos-educacionais, na missão deixada pelo maestro Paulo Carneiro, filantropo músico que se entregou à obra e a legou a seguidores santos que a mantém viva por mais de um século e um quarto.

E fiquem todos os amigos da Escola atentos para o ano próximo de 2023, quando a Escola de Música Santa Cecilia completará 130 anos de fundação e 100 anos de sua organização como sociedade civil de fins educacionais e filantrópicos. Ela necessita de muito apoio para continuar ensinando música, promovendo as artes, honrando a provada e sedimentada vocação petropolitanas de cidade cultural, educacional e turística de nossos dias.

Alie-se a ela. Por Petrópolis! Pela nossa mocidade! Pela cultura! Bem-vindo!

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