Santa Cecília: Legado e Compromisso (II)

03/maio 14:37
Por Joaquim Eloy

Em complemento ao artigo publicado aqui na Tribuna de Petrópolis, edição de 26 de abril de 2021, sobre o início da Escola de Música Santa Cecilia, como sociedade civil, transcrevo a  ata da assembleia dos amigos de Paulo Carneiro que atenderam ao pedido do maestro e não deixaram a sua Escola morrer.

“ATA da 1ª Assembleia Geral da Escola da Escola de Música Santa Cecília, realizada em 23 de setembro de 1923.

“Às 10 horas e vinte minutos do dia vinte e três do mês de setembro do ano de mil novecentos e vinte e três, com a presença de grande número de alunos e amigos do saudoso maestro Paulo Carneiro e de seu filho senhor Sanctino Alves Carneiro, o senhor Reynaldo Chaves declarando aberta a sessão expos os fins da reunião que eram de reorganizar a Escola e a escolha de uma Diretoria para dirigir os seus destinos, conforme os desejos manifestados em vida por aquele saudoso extinto, que antes de se recolher ao sanatório, onde faleceu, entregou os bens da referida Escola a uma comissão composta do declarante e dos senhores André Tannein,  Manoel Gomes de Carvalho, José de Castro Wendling e Walter Eckardt  Declarou, ainda, que está autorizado a declarar  pelo senhor Santino Alves Carneiro, ali presente, que o mesmo desiste de quaisquer direitos sobre o patrimônio da Escola, para que ela pudesse continuar a funcionar como era do desejo do seu finado pai. Em seguida, convidou para presidir a sessão o senhor Oscar Monteiro e para secretário o autor desta ata, tendo ambos aceito a indicação. O senhor Joaquim Santos, pedindo a palavra, propôs em nome do senhor João Roberto d´Escragnolle, que antes da discussão de qualquer assunto, os presentes se pusessem de pé e durante alguns minutos, elevassem o seu pensamento à mansão dos justos onde, certamente, se achava o maestro Paulo Carneiro para que ele lhes iluminasse nas decisões a serem tomadas. Aprovado, todos os presentes se puseram de pé e conservaram-se, assim, em  profunda meditação, durante três minutos. Em seguida, o senhor Reynaldo Chaves indicou que a Diretoria a ser escolhida ficasse composta de Presidente, Vice-presidente, 1º e 2º Secretários, 1 e 2° Tesoureiros, Diretor-técnico, Vice-diretor-técnico e Procurador,  não sendo preciso Conselho Fiscal; e de um grupo de moças, que formariam a Legião de Santa Cecilia, segundo o plano elaborado pelo maestro Paulo Carneiro e que teriam por fim auxiliarem a Administração no que lhe fosse peculiar. Discordou dessa proposta, unicamente no ponto em que se julgava desnecessário o Conselho Fiscal, o senhor Joaquim Santos. O senhor Valentim de Aguiar achava que a questão de ser ou não preciso Conselho Fiscal, deveria fica para ser resolvido pelos Estatutos que tiverem de ser elaborados, no que foi apoiado pelos presentes.  O senhor Oscar Monteiro propôs que a Diretoria a ser escolhida, o fosse em caráter provisório, exercendo o mandato até a eleição da definitiva, o que teria efeito depois de completamente reorganizada a Escola. Vencedora essa ideia foram feitas várias indicações para os diversos cargos, ficando a Diretoria Provisória assim constituída: Presidente: Oscar Monteiro Lázaro; Vice-presidente: André Tannein; 1º e 2º Secretários: Joaquim Gomes dos Santos e José de Castro Wendling;  1º e 2º Tesoureiros: Reynaldo Antônio da Silva Chaves e Oswaldo Eckardt;   Diretor-Técnico: Arnaldo Eckardt;   Vice-Diretor-Técnico: Walter Eckardt; Procurador: Salvador Pastore. O senhor presidente proclamou os eleitos e considerou-os empossados. O senhor Reynaldo Chaves prestou, em seguida, contas dos valores em seu poder e que lhe foram entregues pelo maestro Paulo Carneiro, lendo uma relação de bens móveis, apólices, caderneta da Caixa Econômica e dinheiro, o que, conferido, foi achado certo. O senhor Oscar Monteiro fez ver que vários desses objetos  pertenciam mais propriamente, aos herdeiros do maestro do que à Escola, porém o senhor Sanctino Alves Carneiro fez sentir em seu desejo que os mesmo fizessem parte da Escola. Em seguida, o senhor Reynaldo Chaves comunicou que o senhor Manoel Gomes de Carvalho, arrendatário da casa onde funcionava a Escola oferecia o salão gratuitamente enquanto fosse seu arrendatário;  pedia que fosse conferido a esse senhor o titulo de “Benemérito”, o que foi aprovado. Cuidou-se após da elaboração dos Estatutos, sendo nomeada para organizá-los, bem como o Regimentos Interno, a seguinte comissão: José de Castro Wendling, Reynaldo Antônio da Silva Chaves, Deoclecio Damasceno de Freitas e Joaquim Gomes dos Santos. Nada mais havendo a tratar, foi, em seguida,  (doze horas e trinta minutos), suspensa a sessão da qual eu, Joaquim Gomes dos Santos, servindo de secretário, lavrei a presente ata, que assino”.

Na próxima semana, comentarei o teor da ata, revelador do elevado espírito de amizade daquele grupo de amantes da música e seguidores devotados do maestro Paulo Carneiro e sua magnifica obra: a Escola de Música Santa Cecilia. (continua)

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