• Salvador Fernandes, 70 anos dedicados à medicina

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  • 31/01/2022 12:00
    Por Luiz Marcos Fernandes, especial para a Tribuna de Petrópolis

    Faleceu neste último dia 30 de janeiro, o médico Salvador Luiz Gomes Fernandes. Aos 95 anos, Dr. Salvador, como ficou conhecido, estava internado no Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Três Rios, desde o dia 31 de dezembro, com complicações respiratórias. Nos últimos dias seu quadro piorou, e acabou vindo a falecer na manhã deste último domingo. O médico deixa esposa, Branca Maria Vieira Fernandes, de 97 anos, com quem estava casado desde 1950, sete filhos, dez netos e três bisnetas. Seu corpo será cremado e as cinzas serão depositadas na campa da família. A missa de sétimo dia será domingo em local a ser confirmado.

    Foto do casal, Salvador Fernandes e Branca, com os sete filhos.
    Foto: Arquivo Pessoal

    Dr. Salvador era carioca, mas se tornou Cidadão Petropolitano desde maio de 1965, título conferido pela Câmara dos Vereadores, na época, por iniciativa do vereador João Caldara, em função dos relevantes serviços prestados à comunidade petropolitana. O médico se formou pela Faculdade Nacional de Medicina, que em 1965 passou a ser chamada de Faculdade de Medicina da UFRJ, na Praia Vermelha. Após formado, ganhou uma bolsa de estudos para fazer residência durante dois anos no hospital  Worcester Memorial, em Uster, Massachussetts, nos Estados Unidos, onde prestou serviços na área clínica e patológica. Em seguida voltou ao Brasil, mas um ano depois retornou aos EUA para fazer uma especialização em Laboratório na cidade de Wellesley, Boston, onde ficou mais um ano.

    Foi membro da Academia de Ciências da Sociedade de Medicina de Nova York. Fez também um curso de extensão no Hospital Saint George, em Londres. No seu currículo acumulou cargos como membro do Conselho Diretor da Cruz Vermelha de Petrópolis. Foi um dos fundadores da Unimed Petrópolis, tendo sido responsável durante sua gestão na Unimed, pela fundação da farmácia da Usimed. Na década de 50, trouxe para a cidade o eletrocardiograma, serviço que ainda não era oferecido aos petropolitanos. Foi também sócio fundador da Sociedade Fluminense de Cardiologia, presidente do Conselho Diretor da Casa dos Meninos de Petrópolis, tendo sido responsável pela transferência da mesma para os Franciscanos.

    Uma trajetória de sucesso

    Em 1954 fixou residência em Petrópolis. Passou em um concurso do INSS, onde trabalhou por 37 anos e deu início a sua trajetória como médico na cidade, tendo trabalhado na Casa da Providência, Beneficiência Portuguesa, onde fundou o serviço de Clínica Médica. Em 1959 passou a trabalhar no Hospital Santa Teresa, onde atuou como diretor de Clínica Médica até 1974. Ali criou o primeiro CTI de Petrópolis, o sistema de plantões e um Centro de Estudos. Foi um dos idealizadores da criação da Escola Técnica de Enfermagem. Em 1962 fundou a Clínica de Petrópolis, à rua Paulo Barbosa, com dois colegas, Dr. Tachechel e Dr. Vicente Albuquerque, onde atendia a comunidade.

    Em sua trajetória profissional participou de vários congressos médicos no Brasil e no exterior, em países como: Japão, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. Foi em Frankfurt que conseguiu apoio financeiro para implantação do serviço de CTI em Petrópolis. Foi sócio fundador do Clube dos Médicos. Durante seis anos lecionou na Faculdade de Medicina da cidade onde foi o grande homenageado pela primeira turma formada. Ele contava apenas com o colega Luiz Castrioto para atender mais de 400 alunos, muitos dos quais atuam ainda como médicos hoje em dia em Petrópolis. Sua esposa, Branca, lembra que ao deixar o cargo “a Faculdade precisou contratar cinco médicos para exercer a mesma função que desempenhava”.

    Na década de 70, Salvador foi presidente da Sociedade Médica de Petrópolis e fundou o Procor (Pronto Socorro Clínico Cardiológico), um prédio na rua Marechal Deodoro, com sete andares e que contava com 55 leitos que prestou serviços à comunidade entre 1971 a 1984. Foi Secretário de Saúde do pai do atual prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo. Sofreu perseguições durante a ditadura, embora nunca tivesse se envolvido diretamente com questões políticas e ideológicas. Por conta dessas perseguições, teve as obras do hospital embargadas pela Prefeitura e o terreno desapropriado. Recebeu o título de especialista em Medicina Interna pela Associação Médica Brasileira e de cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.

    Já na década de 90 decidiu criar o IFER, espaço especializado em fisioterapia, onde atuou como seu diretor por duas décadas. Com o avanço da idade, optou por ter apenas um consultório médico. Em 2011 foi homenageado durante o Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em Búzios, com a participação de mais de 700 cardiologistas. Também teve seu reconhecimento numa homenagem prestada pela Unimed Petrópolis. Certa vez, já depois de aposentado, falou sobre seu legado profissional: “Ao longo de todos esses anos meu objetivo sempre foi contribuir para o avanço da medicina e auxiliar os pacientes com meu conhecimento, sem jamais colocar o lucro em primeiro plano, mas sempre com a preocupação de oferecer um serviço com eficiência e qualidade”, afirmou. Muitos dos seus clientes se recordam do médico com carinho. Sua nora, Cristina Pfeiffer, lembra que foi graças ao seu conhecimento que um processo de trombose foi identificado, fato que salvou a sua vida. “No ano de 2000 tive um princípio de pneumonia e foi ele quem identificou o problema e me salvou”.

    Dois de seus sete filhos seguiram a carreira do pai: Luiz André Fernandes e Inácio Fernandes, um atua no Rio de Janeiro, e outro em Brasília. Mesmo não estando mais presente entre nós, o legado de Salvador Fernandes será sempre lembrado pelas pessoas que cuidou e pelas conquistas que alcançou com muito esforço para a área da saúde de nossa cidade. Deixamos aqui a nossa eterna gratidão!

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