Respeito e dignidade

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  • 13/05/2020 00:01

    No Centro Histórico de Petrópolis um audacioso empresário, Osório de Magalhães Salles, do comércio e das finanças, inaugurou a sede própria da casa bancária, o Banco de Petrópolis, por ele criado juntamente com os senhores Plácido Modesto de Mello, Antônio Antonino Condé e Manoel Moreira da Fonseca. A empresa vinha crescendo e o artístico prédio corporificava o sucesso e honrava Petrópolis. De linhas clássicas, no modelo usual das instituições bancárias do país, a bela edificação se elevava nas esquinas da rua Alencar Lima com a última quadra, pelo lado par, da avenida 15 de Novembro, em um dos lotes que haviam abrigado o extenso Hotel Bragança, que fora demolido.

    A grande festividade de inauguração ocorreu na tarde do dia 12 de outubro de 1923, com discursos do diretor-presidente do Banco, Osório de  Magalhães  Salles, entregando a obra e agradecendo a presença das autoridades; Plácido Modesto de Mello; Albuquerque Libório, em nome do Interventor Federal; e Adolfo Gredilha.

    Benzeu o prédio o ilustre intelectual padre Lúcio Gambarra. Seguiu-se a visita às instalações e um serviço de coquetel.

    Compareceram representantes de Bancos com agências na cidade; jornalistas e intelectuais do município e do Distrito Federal, dentre eles: Aristides Werneck, Carmelo Paladino, Octavio Amaral, Ticiano Tocantins, Newton Mendonça, Joaquim Gomes dos Santos, Reynaldo Chaves, Roberto de Macedo Guimarães,  Ernesto Tornaghi,  Chrisostemo Cruz,  Walter João Bretz, Aloisio Silva, Soleyman Antoun, Salomão Jorge, Eugênio Cezar de Andrade, Oscar Moretson, Francisco M. da Rocha, Anthero Palma e outros; comerciantes, médicos, industriais, representantes de clube sociais e desportivos. Eis alguns nomes: Guilherme Rytmeyer, Giovani Santos, Oswaldo Loureiro, Henrique Hingel, Bertho Condé, Abilio de Carvalho, Antônio Soares Pinto; enfim, uma assistência seleta de mais de uma centena de convidados.

    Em meio à alegria do evento, um personagem mostrava-se feliz e recebia muitos cumprimentos, o talentoso autor do projeto do belo prédio, o dr. João Glass Veiga, um dos mais respeitados profissionais da área não só em Petrópolis como no território nacional.

    Infelizmente o Banco de Petrópolis encerrou suas atividades e o belo imóvel passou à propriedade do Banco do Brasil, que nele instalou uma de suas agências no Centro Histórico até edificar novo prédio e abandonar a construção. E ela ali ficou em penúria e lamentável deterioração. Algo inexplicável em se tratando de prédio histórico e representativo para a história municipal. Atualmente, o que se repete com o prédio dos Correios e Telégrafo e o anexo do Palácio Rio Negro, na avenida Koeler, ambos sob lamentável e criminoso desleixo.

    Recentemente um empresário adquiriu o prédio do Banco de Petrópolis, esperando-se que o restaure e a ele confira a dignidade com que foi projetado, construído e – quem duvida? – marco representativo de nossa cultura e significativa história. (Jeds)

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