Quantos vivem iludidos

  • 05/02/2016 10:50

    A ilusão nos devora, nos dilacera, nos abraça, nos torna cépticos ou nos torna ambiciosos e iludidos, nos toca e nos traz imagens diversas e únicas.

    A cada um, o quadro ilusório se oferece de maneiras diferentes; a cada um, a mente se deixa levar e se concentra nas voracidades de um sistema de vida, de uma sementeira que não permanecerá por muito tempo com vida plena e fértil.

    A ilusória caminhada, as etapas que concorrem para que a criatura crie em torno de si imagens fictícias, arranjos transitórios e falsos nos fazem trazer a lembrança do jovem fidalgo que se comprazia e se valia de sua beleza e fortuna para criar, em torno de si, uma imagem de benevolência e de bondade, usando uma capa de ilusória beatitude para conseguir seus intentos, mas que aqueles mais profundos e sábios conseguiam penetrar e ver-lhe as destoantes atitudes, afim somente de abranger maiores requisitos e favores e envolver-se em malhas femininas para melhor se satisfazer.

    A capa ilusionista, que muitos usam e manuseiam, se assemelha a nuvens de entorpecimento que se detêm diante do Espírito, para que este se negue defrontar-se melhor com o de que necessita e precisa absorver e desenvolver na vida frequente.

    Os iludidos são muitos, os deficitários são inúmeros e chegam a contagiar multidões. Péssimas companhias, péssimos exemplos, péssimos orientadores, apenas ilusionistas de suas próprias vidas.

    Ilusão de ver, de crer, de pensar, de admitir, ilusão que o faz demorar-se em suas necessidades. Ilude-se ao crescer e ver-se em época de trabalhar e efetivar-se como cidadão honrado e honesto. O medo de se apresentar inculto e em débito consigo mesmo e com a vida, o torna abstêmio das boas ações e das fortes atitudes. Embrenha-se nos meandros das vidas falsas e dos ideais ilusórios, dos sistemas de vida que o deixam vazio e solitário, vê a vida de forma única e espetacular. Para ele, a vida é somente sua, egoisticamente sua, dispensando as companhias mais francas e sinceras e buscando, nos aparatos da vida mundana o preenchimento de suas necessidades.

    A ilusão também se delineia diante daqueles que recebem tudo e não se apercebem disto, caminham desiludidos, insatisfeitos, incólumes em direção a algo melhor, pois o básico e o essencial não os satisfazem, não sabendo ver sequer os valores à sua volta, buscando realizações em outros locais e outras formas de sentimentos. Qual o espanto, quando nos defrontamos com alguém que tudo tem e de nada se apercebe, tudo ganha e nada pode ofertar, pois lhe apraz a vida alheia envolvida por materiais baratos e ofertas fáceis!

    Este é o fluxo de muitas vidas, as muitas existências que vemos se aproximam de estampas ilusórias e falsas. Poucos são aqueles que se apercebem de um papel real e certo, de valores morais e afetivos a serem conservados e agradecidos. Somos ingratos com Deus, pois não sabemos sequer avaliar os nossos dons, as nossas dádivas e abstemo-nos, muitas vezes, de elaborar algo muito melhor, mesmo dentro de nossos lares e corremos a préstimos a semelhantes que poucos valores nos dão, mas que a nossos olhos parecem marajás do prestígio e da fama.

    A ilusão barata é doença perniciosa, é fraudulência nos sistemas cerebrais e afetivos. A terminologia nos ofertaria uma imensidão de contextos a comparar e lançar, mas não estamos a isto, pois o que nos interessa é a franca disposição da criatura a querer criar, dentro de si mesma, o topo de imagens concretas e perfeitas, onde a ilusão se poderá dar, sim, mas de forma positiva, de querer e poder, em préstimos a valores maiores morais e sensoriais.

    Somos eloquências intermediadas entre céus e terras e, por isso, temos o dever de lhes mostrar os caminhos. 


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