Presença digna e inesquecível

  • 04/05/2016 12:45

    Maio, mês do amor, das mães, mês da luz outonal  que fortalece os corações bem intencionados e transmite o amor mais puro, no dia das mães, no mês das noivas, no esvoaçar das folhas em queda e formando o tapete colorido mais belo da natureza.

    Maio, 9, 1888 : nascimento de um grande guerreiro, de um homem  de bem, de um amante de Petrópolis, de família numerosa e digna, meu pai Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos III. Em 2016 recordo que 128 anos se passaram de sua chegada e 57 anos de sua partida: 19 de setembro de 1959.

    Quero dele falar, para recordar alguns de seus feitos, algo de sua meritória trajetória de vida trabalhando por Petrópolis. Seu nome figura nos anais da Escola de Música Santa Cecília, onde trabalhou voluntariamente por 3 décadas, deixando incisiva colaboração na solidificação da veterana instituição fundada pelo maestro Paulo Carneiro ; na Academia Petropolitana de Letras, da qual foi o idealizador e participante de quase todas as diretorias, até o dia de seu falecimento, tendo ocupado a presidência na fase aguda da estruturação da entidade ; no extinto Centro Auxiliar dos Funcionários do Telégrafo, que manteve vivo e atuante e que findou com a sua partida para Deus ; na Liga de Comércio,  no Colégio Ateneu-Brasileiro, no Instituto Comercial, no Curso Werneck,  onde lecionou diversas disciplinas, como: Contabilidade, Direito Comercial, Geografia e História do Brasil,  Contabilidade e Escrituração Mercantil e Português ; na Escola de  Música Santa Cecilia: História da Música ; nos memoráveis artigos que publicou na imprensa petropolitana e fluminense, nuitos deles de defesa incondicional da Cidade ; no escrever obras literárias belas e inspiradas, como "Suprema Dor – poema de homenagem ao Barão do Rio Branco, "Ismênia", novela-folhetim que publicou em rodapé do Jornal de Petrópolis, "Dorido Amor", conto vencedor de concurso pela revista "Leitura Para Todos", que o publicou com lustrações de Max Yantok, renomado desenhista e artista do Rio de Janeiro; "Gaivotas", precioso livro contendo poemas e belos sonetos ; "O Plano do Ciúme", peça teatral…

    Seus estudos regulares não passaram de seis meses no Instituto São José, dos frades franciscanos, deixando a Escola para empregar-se no comércio enquanto adolescente, até, na maioridade conseguir colocação no Telégrafo Nacional, onde cumpriu meritória carreira. Seu cabedal cultural foi conseguido através da leitura de jornais, revistas, livros, muito estudo varando as noites frias de Petrópolis. Prestou concurso no Colégio D. Pedro II, no Rio de Janeiro, licenciando-se para lecionar Português, Geografia e História e por capacitação inconteste obteve o registro de Guarda-Livros, lecionando matérias e assumindo escritas de empresas, dentre as quais a Edsan, Camisaria, de seu filho Eduardo e Fábrica de Bebidas Cascata, dos irmãos Mora, dentre outras.

    Destacada foi sua atuação comunitária ao abraçar a causa das comemorações do Centenário da Independência em Petrópolis ; a conquista do Monumento ao Expedicionário Petrópolitano, de sua idealização e diretíssima atuação junto aos amigos Luiz Affonso de Miranda e Silva, Alberto Becker e seu filho Paulo Gomes dos Santos. Como jornalista, dirigiu uma fase da revista "Verão em Petrópolis", a publicação "Céus e Terras", e a revista "As Hortências", que circulou com três números; "O Escoteiro de Petrópolis", com uma dezena de edições.

    Família numerosa, muitos filhos cujos nomes aqui reproduzo para completar a reminiscência :  dois matrimônios, o primeiro com Georgina Marcella, com 9 filhos: Maria Hortência, Maria de Lourdes, Eduardo Heleodoro, Paulo Jeronymo, Maria do Carmo, Maria Ludomilla, Maria Adelaide, Maria Teresa e Terésio José; o segundo casamento com Astrogilda, pais de Gilda, Joaquim Eloy, Ruth, Marilda e Alba. A segunda esposa, minha saudosa mãe, era viuva e trouxe um folho para juntar-se à grande prole: Antenor.

    Narrei sua epopéia de vida no livro "Os 3 Heleodoros", editado em 1981, pela Editora Gráfica Social, de meus amigos Célio Salim Thomaz e João Augusto da Costa. 

    E tenho honrado sua memória perlustrando os mesmos caminhos que o tornaram expressiva e imorredoura personagem da História de Petrópolis.

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