Plantas alimentícias não convencionais são cultivadas em sítio no Brejal

  • Por Aghata Paredes

    Enxergar as PANCS apenas como “mato” é deixar escapar a oportunidade de aprender  sobre sua diversidade

    Quem faz o roteiro Caminhos do Brejal, na Posse, fica encantado com as belezas da região. Uma delas é o Sítio do Canto, onde Ângela Azevedo (arteculinarista), cultiva plantas alimentícias não convencionais para consumo próprio.

    Carioca, ela trabalhou durante 13 anos em uma multinacional, mas escolheu Petrópolis para firmar suas raízes. Desde então, o sítio comprado por ela é uma espécie de parada obrigatória para petropolitanos e turistas que desejam não apenas aprender sobre a diversidade de plantas que nascem e crescem espontaneamente no local, mas também resgatar a ancestralidade através do alimento.

    Foto: Divulgação

    Por que não convencionais?

    Ângela estuda o universo das plantas não convencionais há 10 anos. “Mato” para alguns, alimento para outros, as PANCS passaram a ser mais conhecidas recentemente. São chamadas de “plantas não convencionais”, porque normalmente não são utilizadas na alimentação.

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    Por dentro do universo das PANCS

    Você já deve ter ouvido falar no chamado peixinho-da-horta ou, quem sabe, uma planta conhecida como ora-pro-nóbis. Preparado, na maioria das vezes, empanado, o peixinho-da-horta  é a garantia de um bom aperitivo. Já o ora-pro-nóbis é uma alternativa excelente de substituição à carne, devido ao seu valor nutricional. Contudo, no Sítio do Canto o que não falta é diversidade. Lá é possível encontrar, ainda, a cará-moela, planta que possui um sabor semelhante ao da batata doce, segundo Ângela; a azedinha, que possui uma textura semelhante a do agrião; a tanchagem, muito utilizada em chás; o picão-branco, uma PANC muito comum de ser encontrada nas calçadas das ruas, e até frutas, como a maria-pretinha. Outra PANC que faz parte da horta de Ângela é a taioba, uma planta com alto teor de fibras, vitaminas e minerais.

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    Um dos aspectos mais interessantes das PANCS é a sua versatilidade. Da capuchinha, por exemplo, se aproveita absolutamente tudo: as folhas, a flor e a semente, que podem ser usadas em saladas, molhos e peixes. Aliás, as sementes podem ser colocadas numa conserva de vinagre e sal, flexibilizando o tempo e as opções de uso.

    Sobre o uso de PANCS na culinária, Ângela faz um alerta sobre a necessidade de conhecer a procedência das plantas antes de prepará-las, já que existem variedades que podem ser tóxicas.

    No Sítio do Canto é comum ficar surpreso com a disponibilidade de alimentos. As cerejeiras, por exemplo, não chamam a atenção apenas por sua beleza, elas também são comestíveis. Segundo a arteculinarista, suas flores podem ser usadas em pudins e gelatinas.

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    Quem se encanta pelo assunto pode adentrá-lo de maneira mais profunda, através da visitação ao espaço e da participação das oficinas de culinária intuitiva, oferecidas por Ângela, mediante agendamento. O Sítio do Canto fica na Estrada do Brejal, 1.500, Posse.

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