Pelo amor à Pátria

21/fev 08:00
Por Ataualpa Filho

O homem é o único animal capaz de criar símbolos. E, pela exaltação de tais símbolos,declara guerra. Mas não difere dos outros animais no propósito de demarcar território, também sacrifica a própria vida em defesa do espaço em que pretende exercer o seu poder. A outra diferença em relação aos animais está relacionada à criação de linguagem que, através da qual, é possível estabelecer diálogos que podem pacificar conflitos.

A guerra irracionaliza a humanidade. É preciso ter clareza sobre o conceito de pátria. A paz na Terra começa pela valorização da vida em toda as dimensões. Os reinos vegetal e animal precisam viver em harmonia. O sonhado equilíbrio deste planeta depende de um conjunto de ações que prioriza a vida. Portanto a consciência preservacionista fundamenta-se na coletividade. Por isso a igualdade de direitos e deveres deve ser mantida em todas as instâncias. A ideia que se tem de civilidade perpassa por essa reciprocidade inerente ao respeito à cidadania.

         No Brasil, quando as crianças cantavam o hino nacional nas escolas antes do início das aulas, quando os alunos se levantavam quando o professor chegava à sala, nesse período, aparentemente tão distante, era frequente ouvir, nos saraus, os poemas de Olavo Bilac. Lembro que as professoras gostavam de ver as crianças declamando o poema “A Pátria” de autoria do citado poeta parnasiano.

         Quando alguma autoridade visitava a unidade escolar, alguns alunos eram chamados para recitá-lo. Como eu não era bom na memorização, só conseguia gravar a primeira estrofe: “Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste!/ Criança! não verás nenhum país como este!/ Olha que céu! que mar! que rios! que floresta!/ A Natureza, aqui, perpetuamente em festa,/ É um seio de mãe a transbordar carinhos.” – A entonação das interjeições eram bem enfatizadas para destacar as riquezas nacionais.

         No Ensino Médio, antigo Científico, tínhamos uma disciplina chamada Educação Moral e Cívica (EMC). No curso superior, havia Organização Social e Política do Brasil (OSPB). Naquela época, mesmo os que não passaram muito tempo nos bancos escolares tiveram a oportunidade de ter uma noção do conceito de pátria.  O trabalho educacional estimulava o amor aos símbolos nacionais. 

A verdade é que várias pessoas que estudaram naquele período não desenvolveram um sentimento patriótico. Os fatos que hoje testemunhamos mostram isso. Não dá para acreditar nas declarações de autoridades que se dizem nacionalistas, mas com contas bancárias em paraísos fiscais. O patrimônio financeiro deles adquirido aqui não gera emprego no país. Não coloco em questão a licitude da fortuna acumulada, mas o prejuízo que isso causa à Nação.  E quanto dessa fortuna provém do superfaturamento de obras públicas? Lesam a Pátria.

Caiu no senso comum a ideia de que a política consiste na arte de “armar pra se dar bem”. A palavra perdeu o conceito etimológico e ganhou uma descrença, uma conotação pejorativa distante da honestidade. Às vezes, penso que alguns políticos olham para a população como se ela fosse apenas uma plateia. O povo não é espectador, mas agente do sistema político com direitos assegurados constitucionalmente. A Carta Magna da nossa Nação determina em parágrafo único:“Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.”

 “O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim”. Essa frase de Auguste Comte que inspirou a expressão “Ordem e Progresso” que está na Bandeira Nacional, coloca em primeiro plano um sentimento que deve nortear as ações coletivas e individuais. O amor à pátria começa pelo amor ao próximo.Não há democracia sem o bem comum. Disseminar o ódio não é patriotismo.

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