Parceria fora das quadras move dupla brasileira do tênis nos Jogos de Tóquio

28/jul 19:30
Por Toni Assis, especial para a AE / Estadão

Elas se conhecem pelo olhar, esbanjam auto-confiança e fazem da boa convivência, uma parceria que vem dando muito certo nas quadras de Tóquio. Estreantes em Olimpíadas, as tenistas Luisa Stefani e Laura Pigossi vêm surpreendendo até aqui por seu desempenho no tênis. A estratégia da dupla para essa eficácia nas quadras é apostar na simplicidade e jogar “com alma e coração” em busca de uma medalha.

“A gente deixou bem claro que tinha de fazer o nosso jogo independentemente das adversárias. Eu faço a minha parte e sei as minhas armas. Meu jogo é de rede. A Laurinha é muito sólida no fundo. E assim fazemos. Confiando uma na outra e na nossa maneira de jogar”, afirmou Luisa Stefani que joga tênis desde os dez anos.

O roteiro que marcou o ingresso das duas meninas brasileiras nos Jogos, porém, teve requintes de dramaticidade e expectativa. Elas só tiveram as vagas confirmadas pela Federação Internacional de Tênis (ITF, na sigla em inglês) após desistências na chave. “Aconteceu muita coisa nesses anos últimos meses. Não estava fácil ficar de fora. Receber a notícia de que estava no time foi indescritível”, comentou Stefani.

Natural de São Paulo, Luiza fez da modalidade o seu esporte preferido. O retorno dessa dedicação veio em forma de conquistas. São 15 títulos de duplas e dois WTA Challegers 125, entre os vários troféus de destaque. Aos 23 anos, ela vive uma de suas melhores fases na carreira. E participar das Olimpíadas no Japão é a realização de um sonho. “Estou sem palavras para descrever minha alegria e emoção”, afirmou a brasileira.

Três anos mais velha, a também paulistana Laura Pigossi é o complemento da parceira em quadra. Se uma é voltada para o ataque e jogadas de rede, a outra se incumbe da retaguarda. Isso explica em muito os resultados obtidos até aqui no torneio. E disputar os Jogos de Tóquio, em meio a pandemia de covid-19, trouxe ensinamentos e vitórias pessoais para a brasileira.

“Tive de trabalhar muito duro desde a quarentena no Brasil no ano passado. Tive de tomar decisões e olhar para dentro de mim. Mudei de treinador e consegui achar a minha melhor versão. Foi superação a cada, a cada treino”, contou Pigossi.

O resultado dessa parceria pode render uma medalha para a modalidade. Nas semifinais, após a vitória de virada sobre as americanas Bethanie Mattek-Sands e Jessica Pegula, elas precisam agora de mais um triunfo em dois jogos para subir no pódio.

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