• Para Gilda, com amor

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  • 20/01/2021 08:00
    Por Joaquim Eloy dos Santos

    Incrédulo ainda, meu estado emocional mantém-se sob equilíbrio bordado de tristeza infinita que incomoda minha alma inquieta e magoada. Acontece essa confusão, que acabrunha e machuca fundo, porque a vida assim impõe a quem entrou por suas aleias de verdes esperanças, entocando-se no refúgio da mansão da vida. Nos corredores da existência, com alcovas luminosas e porões sinistros, as escadarias levam a infinitos e no sítio da colisão das cumulus nimbus,  meteoritos transformam em pó o lixo espacial, dissolvendo nuvens que não são colchões de divindades. O ciclo da vida vai arrebatando as almas através do último incidente biológico, o imenso e inevitável final de todos e de tudo.

    Venho perdendo os mais caros de minha geração; venho chorando lágrimas de pesar que aquecem a saudade; venho morrendo a cada dia quando meus entes queridos vão se desfazendo da vida.

    Há pouco tempo minha querida irmãzinha caçula, Marilda, após longo sofrimento ocasionado por mal incurável quanto cruel, abriu o caminho ao infinito da saudade irremediável para o meu grupinho dos primeiros anos, com o qual fui criado e tive a infância mais feliz do mundo. Éramos quatro: Gilda, Ruth, Marilda e eu, todos nascidos na década de 30. Também participaram desse encantador grupo familiar, dois sobrinhos nossos Léa e Marcio, que nosso saudoso pai acolheu e criou.  Marilda se foi e, agora, coube a vez à Gilda, a doce Gilda, mãe, avó, bisavó, talentosa professora que atuou por muitos anos no ensino do município e, nas horas que não desejava perdidas, produziu quadros a óleo  com talento e bom gosto, além de cuidar da sua família, conduzindo a todos à cidadania plena, justa e correta. Casada com o corretor de imóveis, de largo prestígio e competência, Devanir da Cunha Madeira, filhos, netos, bisnetos em uma vida plena de alegrias e realizações,

    Missão completa, minha irmã, iniciada nos tempos felizes de nossa dupla caminhando rua Washington Luís abaixo, penetrando na avenida Quinze de Novembro, até o Grupo Escolar D. Pedro II, onde completamos o nível do ensino primário. Em seguida, lá fui eu para o Colégio Pinto Ferreira e você ao Santa Isabel, de onde saiu professora e logo ganhou suas turmas, ensinou, pregou o bem, formou boas criaturas humanas. Gilda sempre presente, sempre exemplo digno e companheiro.

    E vamos por ai com nossas lembranças a tiracolo, povoando o cérebro com imagens antigas, .estas do acervo do escaninho da memória, na certeza de que a sua passagem bem cumprida serve à continuidade da vida. A caravana passou e irá passar outra vez, ninguém duvide

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