Papagaio de pirata

  • 05/05/2016 12:35

    Esse termo foi criado para definir aquele intruso que costuma aparecer em fotografias, ao lado de pessoas famosas. Se o intruso em causa não tiver valor não passará de ser um anônimo inconveniente. Porém, existe um outro caso. São pessoas com certo valor cultural ou artístico que, em determinada reunião, não podem ver uma máquina fotográfica apontada para alguém, ou para um grupo, que logo se posiciona ao lado. A vaidade excessiva costuma ser incontrolável. Já vi casos em que várias fotos de um mesmo evento, com pessoas e grupos distintos forem publicadas num jornal, em que o tal intruso aparece em todas elas. Por outro lado, existe o tímido e o simplório, que embora possuindo grande valor, não faz a menor questão de ser fotografado. Na verdade, a divulgação de determinada pessoa, seja em fotos ou em textos na mídia impressa, só faz sentido se estiver dentro de um contexto, ou seja, se for realmente uma notícia. Ao ser publicada a foto em questão, proporciona comprovar que a pessoa se fez presente ao evento, tanto como simples espectador, tanto como personagem principal. Nem sempre a mídia é justa. Existem pessoas com vários projetos bem realizados e outros para realizar e com vasta obra artística, cultural e literária, sem que tenha tido a divulgação proporcional à qualidade da que foi apresentada, ou a que está para ser apresentada. Por outro lado, existe aquele que pouco apresentou, mas que foi excessivamente divulgado. Como sabemos, a publicidade é alma do negócio. Vários fatores contribuem para o sucesso de determinada pessoa, mas a sorte e a boa divulgação costumam ser fundamentais.

    Se fazer conhecido é uma arte. Existem casos em que ser reconhecido está acima do valor pessoal.

    Eu tenho um amigo, no Rio de Janeiro, conhecido com Paulinho Maluco que, desde o tempo de nossa adolescência, até os dias de hoje, que para qualquer parte da cidade que nós fôssemos, era reconhecido pelo nome: – Fala Paulinho – eu ouvia sempre alguém o cumprimentando. Aqui em Petrópolis eu tenho um amigo que é por demais reconhecido nas ruas. Porém, Geléia, como assim ele é reconhecido, tem grande valor. É um dos mais competentes iluminadores e sonoplastas de espetáculos teatrais. Sobre a pessoa ser conhecida e conhecer todo mundo, faz-me lembrar de uma notável anedota. Dois amigos brasileiros resolveram passear em Roma. Um deles, muito católico, decidiu esperar o Santo Papa surgir na janela do Palácio do Vaticano para sua tradicional benção para a multidão. Naquele final de tarde, assim que o Papa apareceu, um desconhecido surgiu ao seu lado na janela e pôs a mão no ombro do santo homem. Enquanto o brasileiro religioso benzia-se, o outro, derramando-se em lágrimas, pulava e acenava para a janela do Vaticano, muito emocionado. Foi aí que o religioso perguntou: Conhece-o? – Quem? Aquele gordo, grisalho, todo de branco, com um crucifixo pendurado no pescoço? Aquele eu não conheço não, mas o outro que está com a mão pousada no ombro dele é o Pasquale. “Êh Pasquale – gritou. 

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