• Panorama da Dengue mostra aceleração da doença no estado do Rio de Janeiro

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  • 22/jan 09:00
    Por Maria Julia Souza

    Em apenas 16 dias, o estado do Rio de Janeiro já registra quase o mesmo número de casos de dengue das primeiras 8 semanas de 2023. O Panorama da Dengue, boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ) divulgado na última sexta-feira (19), destaca que o Rio de Janeiro segue com tendência de alta na quantidade de casos, apresentando números acima da média histórica para o início do ano.

    O documento reforça o alerta para o avanço da doença e a necessidade de combate aos focos do mosquito Aedes Aegypti. Com exceção da Região Metropolitana II, que inclui os municípios de Niterói e São Gonçalo, todas as outras oito regiões do estado apresentam casos prováveis acima do que se espera para essa época do ano.

    Dados do sistema Monitora RJ, do Centro de Inteligência em Saúde (CIS) mostram que a SES-RJ recebeu 4.446 notificações de 1º a 16 de janeiro. Em 2023, o estado levou quase dois meses para chegar a esse patamar, com 4.728 casos em oito semanas. No entanto, como os dados levam de duas a seis semanas para serem inseridos no sistema pelos municípios, a secretaria trabalha com a hipótese de um número de casos ainda maior. E, por isso, prepara ações para se antecipar um eventual aumento na demanda pelos serviços de saúde.

    “Hoje, nossa preocupação está concentrada no Médio Paraíba, na Baixada Litorânea e no Centro-Sul. São regiões onde vários municípios estão com aumento de casos, chamando a atenção. Mas também estamos sempre de olho na Região Metropolitana, onde, por conta da grande população, as demandas costumam ser maiores”, explica Mário Sérgio Ribeiro, subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde.

    Como parte do plano de contingência para enfrentamento à dengue, a SES-RJ realizou, em dezembro, capacitações visando melhorar o diagnóstico e manejo clínico dos pacientes, para médicos e enfermeiros dos 92 municípios fluminenses, bem como para os profissionais de saúde vinculados às unidades próprias da rede estadual. A capacitação incluiu, também, um evento exclusivo para manejo clínico de gestantes.

    “Também incluímos ações de apoio aos municípios para a implantação de centros de hidratação. Essa é uma estratégia estabelecida pelo Ministério da Saúde, porque a hidratação é uma forma de reduzir os casos graves e óbitos. Quem tem dengue precisa ser hidratado imediatamente. Mas, muitas vezes, concorre com outros pacientes pelo atendimento nas unidades. Por isso, criamos alternativas e damos suporte aos municípios para que haja um atendimento separado para a dengue, para que os pacientes não evoluam de forma grave”, afirma Mário Sérgio.

    Sobre o Panorama da Dengue

    Elaborado por técnicos do Centro de Inteligência em Saúde (CIS) da SES-RJ, o Panorama da Dengue traz um detalhamento da tendência de registro de casos para todo o Rio de Janeiro e também por regiões e municípios, com comparação dos gráficos atuais com as médias históricas. Além de aumentar os esforços para eliminação de focos de mosquitos, a SES-RJ intensificou a coleta precoce de amostras de casos suspeitos de dengue e envio para o Laboratório Central Noel Nutels (Lacen-RJ), com objetivo de identificar os sorotipos do vírus da dengue em circulação no estado. Outras ações incluem a realização de treinamento com equipes da assistência sobre o manejo clínico dos pacientes com suspeita, além do registro oportuno das notificações dos casos suspeitos.

    Confira a situação de cada região

    Baixada Litorânea: 197 casos prováveis.
    A região tem número acima do esperado para o momento e já ultrapassando o máximo esperado para o período sazonal, março e abril. Rio das Ostras se destaca com o aumento de casos prováveis.

    Região da Baía de Ilha Grande: 204 casos prováveis.
    Apresenta número de casos maior que o esperado, sendo que Angra dos Reis e Mangaratiba estão com transmissão acima do esperado para o momento.

    Centro-Sul: 274 casos prováveis
    Região apresenta número acima do esperado para o momento. Historicamente, poucos casos são notificados pelos municípios da região. O município de Três Rios se destaca pelo elevado número de casos prováveis.  

    Região Metropolitana l: 2.993 casos prováveis
    Apresenta número de casos prováveis acima do padrão esperado para o período. Todos os municípios estão com números acima do esperado, mas ainda com números absolutos baixos.

    Região Metropolitana ll: 47 casos prováveis
    Região notificou número de casos menor que o esperado nas primeiras semanas do ano de 2024.

    Médio Paraíba: 383 casos prováveis
    Região apresenta casos prováveis acima do limite superior para o momento. Itatiaia e Resende se destacam pela transmissão de casos acima do esperado.

    Noroeste: 198 casos prováveis
    Ragião está com número de casos estimados acima do limite esperado para o momento, mas com baixo volume de casos e destaque para Bom Jesus do Itabapoana e Natividade.

    Norte: 17 casos prováveis
    Região está com número de casos acima do esperado para o momento. Campos dos Goytacazes tem mais casos do que o esperado, mas com o número absoluto de casos baixo.

    Serrana: 133 casos prováveis
    Região apresenta estimativa importante de crescimento para o aumento no número de casos prováveis, mas o volume de casos é baixo.

    Petrópolis: LIRAa segue abaixo de 1%

    O último Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa), realizado na semana passada, aponta que o índice se manteve abaixo de 1%, atingindo 0,78%, conforme preconizado pelo Ministério da Saúde. Das 7.965 visitas domiciliares realizadas, apenas 59 imóveis foram positivos.

    Nos últimos dois anos, Petrópolis registrou a marca de mais de 1,2 milhão de visitas domiciliares, incluindo palestras e mais de 1,6 mil visitas a pontos estratégicos. Além disso, foram realizados oito Levantamentos Rápidos de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Em 2023, a cidade registrou 135 casos de Dengue. Não houve casos de óbitos.

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