O risco de mais décadas perdidas

11/01/2016 10:00

Aofim de 2015, constatou-se que foi bem pior do que se imaginava noinício do ano. Em janeiro deste ano de 2016, a grande ansiedade ésaber quando o País vai retomar o crescimento. Existe um quaseconsenso que poderá demorar de dois a três anos. Nessa linhatendencial, é duro admitir que mais uma década terá sido perdida.E esta seria a quarta a ser acrescida à nossa coleção de décadasperdidas. A “doença” do baixo crescimento vem desde a década de1980, a primeira perdida, que iniciou esse processo de a economia,com altos e baixos, ter um desempenho medíocre. A pergunta que nãoquer calar é se essa situação vai perdurar nas décadas à frente.A resposta poderá ser sim ou não a depender de nossa capacidade dedestravar as armadilhas institucionais que nos mantêm firmes na rotado baixo crescimento.

Suponhamosque nossa coleção de décadas perdidas tenha vida longa. Pensar oimpensável tem a vantagem de nos alertar para a necessidade de tomaras devidas providências a tempo. É uma ameaça real se continuarmosno mesmo descaminho trilhado pelo PT. E que, a rigor, vem de datamais longínqua, que teve início com o aumento sistemático da cargatributária nas últimas duas décadas. Um processo perverso em que ogoverno cresce à custa do encolhimento relativo da economia do País.Ou seja, estamos crescendo abaixo de nosso potencial já faz muitotempo. Este alerta está no livro “Ficando para trás –Explicando a crescente distância entre a América Latina e osEstados Unidos”, organizado por Francis Fukuyama. Ao lê-lo, eu melembrei dos tempos em que me formei em economia (1969) comparados aosde hoje, em que a posição do Brasil relativamente à renda médiaper capita americana pouco mudou.

Porquê? – eis a questão. Ainda que haja controvérsias, a melhorresposta está no livro do Prof. Daron Acemoglu, do MIT(Massachusetts Institute of Technology), intitulado Por que as NaçõesFracassam? Em linhas gerais, o que ele afirma é que odesenvolvimento resulta da qualidade do aparatopolítico-institucional dos países. Basicamente da capacidade emalinhar os incentivos corretos para atingir os objetivos desejados,coisa em que deixamos muito a desejar em vários setores, em especialna educação de qualidade e nas facilidades oferecidas aoflorescimento do espírito empreendedor, sempre emperrado entre nóspelo cipoal da bu(r)rocracia e pela carga tributária sufocante. 

Amelhor ilustração do que seja a qualidade das instituições de umpaís são os casos das duas Coreias e das duas Alemanhas. Nelas,temos o mesmo povo, a mesma língua, a mesma cultura, a mesma raça,a única diferença são as instituições, ou seja, o aparatopolítico e econômico. Os alemães ocidentais, logo após areunificação, se referiam a seus irmãos da Alemanha Oriental comoum bando de preguiçosos ineficientes. A explicação óbvia é que osistema comunista eliminou a iniciativa privada. Todos passaram a serfuncionários públicos com baixo nível de inciativa individual.Quanto mais obedientes ao bu(r)rocrata-chefe maior a recompensa parasubirem na hierarquia do partido.

ACoreia do Norte comparada à do Sul torna cristalino como asinstituições comunistas castram um povo que em tudo o mais ésemelhante. Enquanto esta última atingiu renda per capita dePrimeiro Mundo no espaço de cerca de uma geração, com empresasmultinacionais respeitadas internacionalmente, a do Norte tem tidoproblema de alimentar seu próprio povo. Quase aceitou receberalimentos dos EUA em troca de interromper seu delírio nuclear.

OBrasil de hoje é vítima de um aparato político (instituições)que sufoca o crescimento de sua economia. Assim como se descobriu (emespecial a China) que a luta de classes não era o motor da História,cabe a nós entender que o Brasil padece de excesso de Estado. Setivermos a capacidade de encolher o governo, com base numa reformapolítica em profundidade com a adoção do parlamentarismo esimplificação dos entraves legais e burocráticos, aí sim, seremoscapazes de deixar de sermos colecionadores de décadas perdidas.

gastaoreis@smart30.com.br// www.smart30.com.br

Últimas