O mundo mudou e nós mudamos com o mundo – o professor como formador de opinião

05/maio 08:00
Por Maria Angela Gomes

O século XXI, como todos podemos perceber, em pouco mais de 20 anos, já inclui mudanças radicais na sociedade se comparado ao século XX. Podemos afirmar que a tecnologia que avançava a passos largos, devido a pandemia que veio com o isolamento social, ganhou um espaço ainda maior no dia a dia de milhares de pessoas. Outro ponto essencial de mudança que chegou neste século, é a reflexão acerca do papel do professor na sociedade. Sabemos que a educação em nosso país não é valorizada no sentido monetário, contudo, por vezes, também não era e não é valorizada por sua função social, sendo para muitos a educação domiciliar uma possibilidade pertinente. O que podemos perceber em 2021 é que a mudança que o mundo está sofrendo, requer cidadãos autônomos, com pensamento crítico, para que não sejam apenas pessoas que absorvem conteúdo curricular, mas que debatem sobre os problemas, refletem sobre o mundo que nos cerca e criem soluções. Nesse sentido e após tantas mudanças, cabe a questão: “O professor pode ser um formador de opiniões”?

Seria muito pobre afirmar que a escola é um local de aprendizagem se essa aprendizagem não estiver relacionada a um sentido amplo que inclui troca de conhecimentos, vivências, empatia, humildade. Antes de mais nada, precisamos pensar que o educador muitas vezes não se contenta em passar o conteúdo aos alunos, justamente, porque quando um professor nasce também nasce o desejo de mudança social. Um professor, antes de transmitir o conhecimento ele deseja passar reflexões necessárias para a sociedade e a consequência disto é ser um formador de opiniões.

Ser ou não um formador de opinião não é uma decisão, mas uma leitura daquilo que somos e que nossos estudantes conseguem perceber pela forma como nos comportamos. Esse processo é complexo. É necessária uma compreensão da importância desse papel, afinal, as opiniões muitas vezes não precisam ser verbalizadas, basta serem parte das ações corriqueiras.

Podemos afirmar, portanto, que ser um formador de opiniões, seja no ambiente escolar ou não, é inevitável. Todos estamos propensos a sermos facilitadores de pensamentos, influenciadores na vida dos mais próximos, e nesse sentido o professor está à frente de todas essas questões seja pelo seu papel, seja pela quantidade de pessoas que ele alcança todos os dias. Não é possível haver educação sem formação de opinião, ainda mais em um mundo completamente diferente em que todos estamos nos adaptando as necessidades e refletindo o tempo todo sobre nosso papel por aqui.

* Maria Angela Gomes é professora de História, mestranda em História Social e atua na área de educação há quatro anos com reforço escolar e educação multidisciplinar.

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