Maria Guilhermina nos céus

  • 05/05/2016 12:00

    Maria Guilhermina, Carlos Alberto e o filho Carlinhos singraram não os mares como fizeram nossos antepassados nos idos de 1500. Eles aqui aportaram pelos ares. Chegaram ao Brasil na década de setenta. Deixaram tudo para trás. Convites não lhes faltaram para se estabelecerem na Venezuela, U.S.A. França, Itália, Austrália e etc. Resolveram aportar no Brasil. Passaram por Cabo Frio e se encantaram. O sucesso começou ali. Os bolinhos de bacalhau chamaram a atenção dos turistas e residentes até que um casal petropolitano deles se aproximou e ali a amizade começou. Era a Família Luiz Salvador que os incentivou a conhecer Petrópolis. Eles vieram, ficaram e  tudo começou. No ano de 1977 nascia o famoso Restaurante Parrô do Valentim. Dona Guilhermina preparou deliciosos pratos até hoje relembrados pelos fieis clientes. E o tempo passou os transformando em pioneiros na gastronomia de Itaipava. Ilustraram revistas, jornais nacionais e internacionais, participaram de inúmeros programas televisivos e a casa foi mencionada em novelas o que comprovou a fama e o prestígio conquistados ao longo dos anos. Idosos, era natural que vendessem o Parrô e se recolhessem inclusive porque a mestra e guardiã fora acometida de dois AVC e não mais se deslocava de seu lar. No dia 24 de dezembro de 2015 enquanto preparávamos a ceia fomos surpreendidos com o agravamento da saúde do Sr. Valentim e no dia 26 do mesmo mês ele veio a falecer. Dali por diante o estado de saúde da doce amiga se agravou e ela em inícios de abril sofreu um infarto agudo do miocárdio tendo sido internada num hospital da cidade e veio a falecer em 22 de abril do ano em curso o que a todos consternou. Ela não conseguiria mesmo resistir ao dormício do esposo, ao silêncio não obstante cercada de amigos poucos, mas, fieis ontem, hoje e sempre. Não é à toa que ficaram célebres como Embaixadores Culturais da Imperial Cidade! Vossa partida causou imenso vazio. Nossos Natais serão completos pela presença do Deus Menino e de José e Maria junto aos Pastores e animaizinhos, mas, não mais correremos ao Vosso encontro como sempre o fizemos antes mesmo de nos reunir com os consanguíneos. Vossa memória continuará nos alegrar e fascinar. A austeridade e a candura nos lembrarão da Senhora, a suavidade será nossa brisa e nos animará a alma. A amizade se manterá acesa e a nos incendiar e agora anjo alado a esvoaçar em torno de seus amados e o carisma prosseguirá em perfeita rima. Seus jardins continuarão a vicejar flores exóticas ou simples margaridas porque ali deixou a vida e estarão a exalar o perfume de fragrância divina que a faz inconfundível. Mais que nunca dos Querubins e Serafins doravante é amiga temos certeza que deles há de nos aproximar. Sempre foi a mãe e amiga capaz de exaurir o amor e a fadiga sem hesitar. Será lembrada pela energia e personalidade transparente qual água cristalina. Foi boa filha e orgulho dos seus pais desde menina, avó e esposa inigualável. Lisboa a fez rainha dos fados desde tenra idade, ainda bem pequenina ecoando sua voz e ensurdecia o Tejo, a Torre de Belém e a Mouraria… Receba o céu como prêmio amiga! Petrópolis a agradece na Senhora e em seu amado Carlos Valentim o muito que fizeram para que ela Altiora Semper Petens.  Resta a saudade e a lembrança de incontáveis momentos compartilhados conosco em família. É centelha de luz a brilhar no firmamento. Descanse em paz e vele por nós.

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