Marcos Civilizatórios – parte II

  • 28/04/2020 12:00

    Na edição de nossa Tribuna de Petrópolis, em 15 de abril de 2020, iniciamos considerações que tendem à discussão do patrimônio municipal de Petrópolis, diante do feitio histórico-artístico-documental-perene que confere à cidade de D. Pedro II uma característica ímpar no concerto nacional. Seu acervo não possui características representativas por uniformização do urbanismo deitado a uma exploração econômica, como as cidades mineiras do ciclo do ouro com extensão a Parati, em nosso Estado do Rio de Janeiro.

    Comprova-se a tese de ser Petrópolis uma cidade planejada e alguns arriscam afiançar ser a primeira, a pioneira nesse conceito no país, o que é discutível, embora se afirme que a planta de Júlio Koeler, obedecida na implantação do povoado, revela a intencionalidade do projetista de criar um núcleo de povoamento ordenado,  diante do sereno objetivo colimado pelo imperador, qual seja a utilização do vasto território de sua fazenda para abrigar a Família Imperial e a própria sede do governo imperial em terras climaticamente favoráveis em épocas da quente estação do verão carioca. Seria uma aprazível quinta para o repouso da Corte no modelo das vilas desenvolvidas no entorno das cidades de vulto da Europa.

    No projeto discutido com seus assessores, o imperador define claramente tratar-se do aproveitamento de suas terras na serra, com a edificação de uma casa de campo – um palácio mais simples – e uma ocupação das áreas definidas na planta da povoação sob habitantes selecionados e por famílias dedicadas às inúmeras atividades socioeconômicas para sustentação de cobertura adequada a um povoado, onde nada faltasse aos habitantes sazonais, sob garantia emprestada pela ocupação de habitantes fixos.

    No particular ocorre um aspecto importante: por estar no traçado do caminho do ouro, em ligação da Corte, centro do tráfego econômico internacional do país e sede do Império Brasileiro, Rio de Janeiro, com o centro produtor do ouro,  Minas Gerais, via de ligação continental com o Brasil interiorano, era do extremo desejo do poder político expandir os caminhos entre os polos da sustentação econômica, em garantia da soberania do novo império americano, que nascia e necessitava estabelecer seus limites e garantir sua natural expansão.

    Córrego Seco, Correas, Itamarati e seguindo caminhos adiante, eram passagens estratégicas com habitantes fixos, pontos de mudas de animais, comerciantes que hospedavam viajantes e produtores pecuários capacitados ao atendimento das necessidades locais, divididas com os viajantes que aumentavam de período a período desde o acontecimento em São Paulo que definiu a soberania de nossa nova razão política.

    Diante da corporificação do ideal do monarca, sob a competência de Júlio Frederico Koeler, a orientação segura de Paulo Barbosa da Silva e o apoio de alguns legisladores, a empreitada coberta de ousadia ganhou agilidade e se tornou uma feliz realidade a partir da chegada dos germânicos, os quais se aliaram a portugueses que se aliaram a brasileiros, que se aliaram a franceses, que se alinharam a ingleses, que se alinharam a…(JEDS).

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