Lula, o senhor das Astúrias

  • 02/02/2016 11:10

    É evidente que os fatos descobertos pela Lava-Jato e em outras investigações paralelas não foram criados pelos investigadores da Polícia Federal ou pelos procuradores da República, muito menos pela mídia. Vamos ao caso do ex-metalúrgico Lula da Silva. Em que pese proclamar-se a alma mais honesta do hemisfério, há um rastro de suspeitas que precisam ser explicadas com clareza, a fim de que não pairem mais dúvidas a respeito.

    Na Triplo X, mais uma fase da Lava-Jato, identificou-se um apartamento tríplex no Edifício Solaris, em Guarujá, na praia das Astúrias, que seria de propriedade do ex-presidente. No imóvel, reformado pela OAS, submersa na petrorroubalheira, estiveram Lula, mulher e filhos, acompanhados de Léo Pinheiro, presidente da empreiteira. Inspecionaram as obras, em visita finalmente confirmada pelo Instituto Lula. A empresa gastou uma fortuna no projeto, inclusive com a colocação de elevador interno. Quanto luxo, poucos da elite brasileira, tão condenada pelo ex-metalúrgico, podem dar-se ao luxo de mordomias tão privativas.

    Como resposta de Lula, as justificativas mais esfarrapadas do mundo. Teria apenas adquirido uma cota da Bancoop – Cooperativa dos Bancários de São Paulo, que poderia ou não ser convertida na aquisição do apartamento. Uma explicação sem pé nem cabeça, porquanto não houve negociação de cotas, mas somente de unidades habitacionais. Sobre a constante verificação dos trabalhos realizados no imóvel, pagos pela OAS e supervisionados pelo menos uma vez por seu dirigente máximo, nenhuma palavra, apenas o silêncio incriminatório.

    Uma curiosidade. Na falida Bancoop, que causou prejuízos de milhões de reais a cerca de seis mil cooperados, muitas estrelas do PT. Desde sua criação, a presença de Ricardo Berzoini, fundador, ex-presidente da cooperativa e do PT, agora ministro da Secretaria Geral da Presidência da República. João Vaccari Neto, preso pela Lava-Jato, ex-presidente e ex-tesoureiro da cooperativa e do PT, sempre afeito a lidar com finanças, puras e impuras. Em sua gestão a sociedade teve falência decretada. Há indicações de que o caixa da cooperativa também socorreu o PT em algumas oportunidades.

    Outra singularidade, após a OAS ter assumido em 2009 a responsabilidade pela conclusão do empreendimento, por solicitação de Lula, surge o nome de vários proprietários ligados ao PT e ao ex-metalúrgico. É o caso de Simone Godoy, mulher de Freud Godoy, ex-assessor da Presidência da República e segurança de Lula, de Giselda Rose de Lima e Marice Correa Lima, mulher e cunhada de Vaccari Neto. Suspeita-se, com base em elementos fortes de convicção, que mais de uma dezena de imóveis do Solaris foram usados para lavar dinheiro e pagar propinas aos participantes dos esquemas de desvio de recursos da Petrobras.

     As investigações e procedimentos da Lava-Jato ganham altura e torna-se inviável pretender esconder o que salta aos olhos. Há uma ciranda de personagens com íntimas vinculações, fruto de uma relação promíscua entre o lulopetismo, empreiteiras e o poder na República. Em seu núcleo, a figura de Lula da Silva, com seu novo status de senhor das Astúrias, sem nenhum laivo de nobreza.

     Lula e Marisa acabam de ser intimados a pedido do Ministério Público e serão ouvidos no inquérito sobre o tríplex de Guarujá, na condição de investigados. O PT e áulicos do ex-metalúrgico prometem reagir, não afeitos ao princípio de que ninguém está acima da lei e da ordem jurídica.

    paulofigueiredo@uol.com.br

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