‘Lockdow parcial’ chega após a CastroFolia em Petrópolis, festinha que todo político nega que foi convidado

30/mar 02:00

No dia em que o Estado do Rio alcançou a marca de 700 pessoas na fila por UTI o governador interino Claudio Castro faz uma festinha de aniversário. E advinha onde? Tinha que ser em Petrópolis. Foi na casa que ele aluga, em Itaipava. Um desrespeito com os 673 mortos pela covid na cidade e os mais de 300 internados e seus familiares.  E ainda quando a cidade ultrapassa 93% dos leitos UTI pelo SUS ocupados.

 O Paes tinha razão

O governador emitiu nota oficial dizendo que não seriam 12 carros em sua porta que teriam trazido os convidados, mas apenas oito e o restante teria transportado seus seguranças.  Mas estes foram os carros do lado de fora, sinal de que o terreno já estava cheio… Mas, ainda que fosse oito carros, já dá aí umas 32 pessoas na festa. Por baixo.

Mas e os convidados?

E aí, ficamos pensando: mas se a festinha foi em Petrópolis teriam sido convidados políticos locais como o prefeito interino Hingo Hammes, candidato declarado de Castro nas eleições suplementares? Mas, Hingo disse que não foi convidado.  A galera da política que poderia ter sido convidada já foi logo anunciando que não. Melhor queimar o filme se mostrando desprestigiado do que ser flagrado tomando Itaipava com o Castro.

Vieram pelos céus!

E matutamos também: como os convidados passaram pelas barreiras sanitárias, porque não foi com voucher da Rua Teresa, né? E aí pimpa: helicópteros! Na tarde de domingo pelo menos uns oito pousaram no Hotel Vale Real, não necessariamente para ir à festa de Castro, é bom frisar, mas a movimentação nos céus dos distritos tava boa.

Dava tempo de mostrar serviço

Mas, ainda sobre o assunto: se as primeiras publicações deduraram a festinha ainda à tarde, domingo, publicamente, viralizando nas redes sociais, porque a prefeitura não foi lá com a SSOP fiscalizar e acabar com a aglomeração? Porque apenas o condomínio vai ser autuado?

Eduardo Dias, lojista da Rua Teresa, lançou um novo espaço cultural: ali em frente ao shopping Alberto Pereira Dias, já decorado por artistas locais e que pretende ser uma área para muitas manifestações artísticas. Vamos torcer para essa pandemia passar logo para virem as atrações.

A gente desanima com o brasileiro. Ontem no drive-thru da vacinação no Bingen, teve os espertinhos. Como lá também pode vacinar pessoas que chegam a pé quem foi de carro e viu que a fila tava grande em comparação a fila dos que estavam a pé, estacionou e entrou nessa. Ocorre que o imunizante é aplicado de forma alternada: um pra quem tá de carro e outro pra quem tá a pé. Aí quem estava na fila desde às 8h demorou mais.

É dose!

Agiu sozinho

Pela primeira vez o governo municipal não ouviu os técnicos e especialistas que indicavam medidas mais contundentes de restrição de decretou dia 26, aquele feriadão meia boca.   E olha que individualmente eles colocaram sua posição assim como se manifestaram publicamente os ministérios públicos e o Conselho Municipal de Saúde. Dá mesma forma que os hospitais particulares, já colapsados. A gestão provisória de Hingo Hammes apostou que os casos iriam baixar com o CastroFolia, o feriado meia boca do governo Estado e seguiu essa linha.

Briga de foice

Antes de decidir pelo lockdown parcial o prefeito interino Hingo Hammes se reuniu com os empresários ontem. Para apresentar as medidas mais restritivas. E o pau quebrou.  Ali da calçada da Avenida Koeler dava para ouvir os gritos. 

Vai custar caro

O preço político da mancada é incalculável.  Os prefeitos do Rio, Eduardo Paes, e de Niterói Axel Grael, foram um pouco mais duros e nestas cidades é quase um lockdown. Eles contrariaram a linha de Claudio Castro, governador fluminense alinhado com Bolsonaro. Já os demais prefeitos, como Hingo Hammes, que preferiram se escorar no Estado, pisaram na bola.

E circulou nas redes sociais uma fake news de que a prefeitura estaria fornecendo um ‘vale mercado’. Era golpe para pegar dados das pessoas. Mas, o pior é ter que desmentir dizendo que não entrega nenhum benéfico social além do cartão merenda nesta pandemia.

Contagem

Petrópolis está há 89 dias sem prefeito eleito pelo povo.

Previsão sombria

E agora pagaremos um preço alto: os mesmos especialistas que o governo deveria ter ouvido alertam que daqui a quinze dias haverá a explosão de casos daqueles que estão se contaminando agora.  Ou seja, custa caro politicamente – o que é o de menos, a gente nem liga – mas custa muito caro para a população perdendo vidas, esperando leitos.

Pra inglês ver

E a prefeitura jura de pés juntos que fiscaliza as entradas da cidade – além das quatro onde existem barreiras sanitárias. É uma fiscalização, segundo eles, volante.  Por baixo são mais de umas 20 entradas, mas pegando umas mais conhecidas, ficamos com oito. E nestas, a prefeitura já embarreirou o total de 0 carros.  Repetindo: 0 carros, um número divulgado pela própria prefeitura.

Contatos com a coluna: lespartisans@tribunadepetropolis.com.br

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