• Líder dos rebeldes que derrubaram Assad é nomeado presidente interino da Síria

  • 30/jan 08:49
    Por Redação O Estado de S. Paulo / Estadão

    As facções sírias que derrubaram Bashar Assad em dezembro nomearam um ex-líder rebelde islâmico como presidente interino do país nesta quarta-feira, 29, em um esforço para projetar uma frente unida para “a fase de transição” do país enquanto enfrentam a tarefa monumental de reconstruir a Síria após quase 14 anos de guerra civil.

    As novas autoridades sírias anunciaram a dissolução do Parlamento e a suspensão da Constituição de 2012, e encarregaram Ahmad Sharaa de formar “um conselho legislativo provisório”, sem informar a duração do seu mandato.

    Anteriormente conhecido como Abu Mohammed al-Golani, Sharaa é o chefe do Hayat Tahrir al-Sham, que liderou a ofensiva relâmpago que derrubou Assad no início de dezembro. O grupo já foi afiliado à Al-Qaeda, mas desde então denunciou seus antigos laços.

    Divulgadas pela agência de notícias oficial Sana, as medidas foram anunciadas após a reunião desta quarta entre Sharaa e líderes das facções armadas que participaram da ofensiva contra Assad. O líder de fato assumirá “a Presidência do país durante o período de transição” e “representará a Síria nos encontros internacionais”, segundo as autoridades.

    Também foi anunciado que “todos os grupos armados, os órgãos políticos e civis da revolução estão dissolvidos e devem ser integrados nas instituições do Estado”, conforme um comunicado publicado por um porta-voz militar, o coronel Hasan AbdelGhani, citado pela Sana.

    A mesma fonte anunciou “a dissolução do exército do regime” deposto, com o objetivo de “reconstruir o exército sírio”. “Todas as agências de segurança afiliadas ao antigo regime” estão dissolvidas para formar um “novo aparato de segurança que preservará a segurança dos cidadãos”.

    Os anúncios foram recebidos com disparos de celebração em vários bairros de Damasco.

    As novas autoridades também dissolveram o partido Baath, do clã Assad, que governou a Síria por mais de seis décadas.

    Após tomar Damasco, em 8 de dezembro, a coalizão de grupos armados rebeldes nomeou um governo de transição, que deveria permanecer por três meses, mudar a Constituição e relançar a economia síria.

    O objetivo das autoridades é conseguir o levantamento das sanções ocidentais impostas durante o regime de Assad.

    Na reunião desta quarta, Sharaa definiu “as prioridades atuais da Síria: preencher o vazio de poder, preservar a paz civil, construir as instituições do Estado, trabalhar para construir uma economia focada no desenvolvimento e devolver à Síria seu papel internacional e regional”. (Com agências internacionais).

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