• Íngrid Betancourt anuncia pré-candidatura presidencial 20 anos após sequestro

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  • 18/01/2022 21:29
    Por Redação, O Estado de S.Paulo / Estadão

    A política franco-colombiana Íngrid Betancourt, que foi sequestrada por seis anos por guerrilheiros na selva, lançou sua pré-candidatura à presidência da Colômbia nesta terça-feira, 18, 20 anos depois de ter sido feita refém.

    Em entrevista coletiva, Betancourt anunciou que vai participar da consulta eleitoral da qual sairá o candidato de uma coligação de forças de centro. “Vou trabalhar incansavelmente a partir deste momento, de sol a sol, para ser presidente”, disse a líder do partido Verde Oxígeno (Oxigênio Verde).

    Se vencer a consulta, que será realizada juntamente com as eleições legislativas de 13 de março, ela disputará o primeiro turno presidencial em 29 de maio.

    Betancourt, de 60 anos, que se estabeleceu no exterior após seu resgate em uma operação militar, relembrou seu sequestro há 20 anos nas mãos dos rebeldes das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), quando fazia campanha para a presidência. “Hoje estou aqui para terminar o que comecei com muitos de vocês em 2002. Com a convicção de que a Colômbia está pronta para mudar de rumo”, disse a candidata.

    Betancourt se apresentou como uma alternativa centrista à disputa entre a direita no poder e a esquerda liderada pelo ex-prefeito e ex-guerrilheiro Gustavo Petro, favorito nas pesquisas. “Durante décadas só tivemos opções ruins: extrema direita, extrema esquerda. Agora é a hora de ter uma opção de centro”, disse a candidata.

    O combate à insegurança e à poluição ambiental foram apresentados como objetivos. “Acredito em um mundo com a visão de uma mulher”, acrescentou.

    Betancourt voltou à vida pública depois de apoiar o processo de paz com os guerrilheiros que a sequestraram em 2002. A política foi levada para o interior da selva e lá ficou refém até 2008, quando o Exército a resgatou junto com outros sequestrados.

    Sergio Guzman, analista de risco político em Bogotá, disse que faltando apenas dois meses para as primárias, será difícil para Betancourt causar impacto. “Ela representa a reconciliação e outras questões que foram importantes durante as eleições anteriores, como a necessidade de o governo colombiano fazer as pazes com grupos armados”, disse Guzmán.

    Mas essas não são as principais questões que preocupam os eleitores nesta eleição, de acordo com as pesquisas. “O principal sentimento agora entre os eleitores é de frustração com um sistema que não oferece oportunidades”, disse Guzmán. “E há outros candidatos que têm feito um bom trabalho explorando esse sentimento.”

    Indenização milionária

    Íngrid Betancourt também se referiu à indenização de US$ 36 milhões que as extintas Farc devem pagar ao filho pelos danos causados pelo sequestro da pré-candidata, segundo uma decisão recente da Justiça americana.

    “Nos acostumamos a pensar que pedir justiça é abusivo e indecente (…) Venho hoje exigir que sejam recompensados cada filho, cada filha, cada pai, cada mãe, de todas as famílias ” vítimas do conflito, declarou.

    Lawrence Delloye Betancourt apresentou uma ação a um tribunal dos EUA em 28 de junho de 2018 contra 14 membros de alto escalão das Farc. A corte considerou que o filho de Betancourt enfrentou um sofrimento emocional significativo como resultado de seu cativeiro prolongado.

    Em 2010, a pré-candidata também exigiu indenização do Estado colombiano por não garantir sua segurança, mas desistiu diante das críticas. “Me acusaram de ter sido ingrata, oportunista, gananciosa, por ter pedido que fossem reconhecidos os direitos que a lei colombiana havia estabelecido para proteger as vítimas do terrorismo”, lamentou durante a conferência de imprensa.

    A pré-candidata presidencial é uma das vítimas que aguarda “verdade, justiça e reparação” no âmbito das investigações realizadas pelo tribunal de paz formado após o acordo de 2016, que pôs fim a um conflito de mais de meio século com a guerrilha marxista.

    Aqueles que confessarem seus crimes e repararem os afetados pela guerra poderão evitar a prisão, caso contrário correm o risco de serem condenados a penas de até 20 anos. (COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)

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