Goiânia lidera ranking da dengue no Brasil com aumento de 1.544% no número de casos

  • 25/mar 15:32
    Por Andréia Bahia, especial para o Estadão / Estadão

    Quando há cerca de um mês o autônomo Antônio Carlos Domingos, 60 anos, começou a sentir dores nas costas e nas pernas, não suspeitou que pudesse ser dengue; mas sim as corriqueiras dores na coluna. Em poucos dias os sintomas evoluíram para erupção na pele e muita coceira, o que o levou a procurar um posto de saúde. Foi a primeira vez que Domingos contraiu a doença, que o impediu de trabalhar por 15 dias. “Foi horrível. Tive muita dor de cabeça e no corpo e demorou de 20 a 25 dias para me recuperar totalmente”, conta o autônomo.

    Na casa de Domingos, o filho de 35 anos também foi picado pelo mosquito da dengue e, na mesma quadra em que a família mora, no Setor Jardim Pompeia, na região norte de Goiânia, pelo menos oito pessoas já tiveram dengue este ano. “No momento, três outros vizinhos estão com a doença”, conta.

    Goiânia é a cidade brasileira com mais casos prováveis de dengue registrados em 2022, segundo dados do Boletim Epidemiológico publicado pelo Ministério da Saúde na segunda-feira, 21, e que apontou um crescimento de 43,9% nos casos de dengue em todo País em comparação ao mesmo período do ano passado. Os dados são referentes às notificações da doença feitas de 2 de janeiro a 13 de março deste ano.

    O Centro-Oeste é a região com maior taxa de incidência de dengue, com 204,2 casos por 100 mil habitantes e, em Goiânia, essa taxa é de 1.069 casos por 100 mil habitantes, segundo o documento do Ministério da Saúde. A capital goiana registrou 16.629 casos no período.

    O Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde de Goiânia, publicado na terça-feira, 22, aponta uma situação ainda mais preocupante: desde o início de 2022, foram registrados 19.898 casos prováveis de dengue, com taxa de incidência de 1.295,4 por 100 mil habitantes. Em comparação com o mesmo período do ano passado, houve um aumento de 1.544,5% no número de casos, de acordo o boletim.

    O secretário de Saúde de Goiânia, o médico Durval Pedroso, explica que a diferença entre os dados do Ministério da Saúde e os da Prefeitura de Goiânia ocorre porque os do órgão municipal são atualizados mais rapidamente. Pedroso afirma que Goiânia vive uma epidemia de dengue, que teria como fatores a redução das visitas dos agentes de combate às endemias nas residências durante a pandemia de covid-19 e o aumento do período chuvoso.

    Ele acredita que com a estiagem, que tem início agora, e o calor, a proliferação do mosquito pode ser ainda maior. “Com a chuva contínua, a água não ficava parada, a chuva lavava”, explica.

    Segundo o secretário, desde o início do ano, com a retomada das visitas regulares dos agentes de combate às endemias, 554.295 imóveis foram fiscalizados em Goiânia, inclusive imóveis fechados, e em 21.404 havia focos do mosquito da dengue. Mais da metade das casas fechadas tinha infestação, relata Pedroso. Segundo ele, por meio do aplicativo Goiânia contra a Dengue foram atendidas cerca de 1,8 mil denúncias de locais com a presença do mosquito da dengue.

    Para conter o avanço da doença, o secretário diz que a prefeitura vai investir no controle do mosquito por meio de mutirões de limpeza urbana. Já as visitas a residências, onde o mosquito se concentra, não serão ampliadas porque Goiânia não tem a quantidade de agentes suficiente para ampliar a varredura na cidade. “Estamos com um concurso parado desde 2020 e vamos dar andamento para contratar mais agentes”, diz. Ele, porém, reforça a necessidade de as pessoas se responsabilizarem pelo controle do mosquito dentro de suas casas. “Porque o controle do mosquito exige muita consciência da população.”

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