Fusca: ajuda na indústria automobilística e paixão nacional

  • 28/01/2020 11:45

    No início desta semana, no dia 20, foi comemorado o dia nacional do Fusca, afinal, até hoje ele coleciona admiradores e fãs, que conservam incontáveis exemplares pelo país afora. Ele também é um dos símbolos da implantação da indústria automobilística no país, durante os anos 50. A data é celebrada desde 1987, celebrando o início da produção do modelo no país. Diversos eventos foram realizados no Brasil reunindo milhares de apaixonados pelo “besouro”.

    O Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil, Alexander Gromow, que participou da criação da data no Brasil e do Dia Mundial do Fusca na Alemanha, afirmou que é complexo explicar o porquê dos fuscas maníacos gostarem do veículo: “Não sei se precisa de explicação. Basta ver o resultado. Costumo dizer que por onde passou, onde foi vendido, trouxe progresso, alegria e uma quantidade de amantes. É um fenômeno mundial” afirmou.

    Chegada dos fuscas (Arquivo VW)

    Em Petrópolis, os amantes da baratinha também estão presentes. Dos encontros no estacionamento da Catedral a eventos pela cidade, os apaixonados pelo Fusca da Cidade Imperial são só amores quando falam de seus companheiros. E as histórias são de longa data, como no caso do fotógrafo da Tribuna de Petrópolis, Bruno Avellar. Ele conta que a paixão pelo modelo e os primeiros contatos com o Fusca foram por causa do pai. “Meu pai já teve, e desde de bem pequeno sou apaixonado por Fusca. Foi nele que aprendi a dirigir, inclusive!” conta orgulhoso.

    O fotógrafo diz que depois do contato com o carro do pai, ele foi atrás do seu próprio. E desde os 14 anos, tem o seu fusquinha na garagem. “Minha história com Fusca é tão engraçada que eu tenho o carro desde os 14 anos! Comprei ele na agência com o dinheiro do meu trabalho e depois disso nunca mais andei a pé ou de ônibus. Meu primeiro carro foi o Fusca”, disse.

    Capitão América

    De lá pra cá, o fotógrafo já teve 6 modelos, até chegar no “Capitão América” seu atual Fusca. E a paixão também significa investimento. Bruno diz que o hobbie, atualmente, ficou mais caro. E que para se conseguir peças originais, o dono do carro tem que estar com a carteira preparada. “Antigamente era mais barato. Hoje, até porque ficou mais raro encontrar as peças, o investimento é alto. Por exemplo: um volante original, como o do meu, custa em média mil reais. Então no “Capitão” ainda não coloquei muito dinheiro, mas com o que já fiz nele, deve ter investido mais ou menos 4 mil reais” disse.

    Mas os planos para o carro já estão definidos, independente do valor. “Meus planos pra ele são de fazer um ratão (Rat Look) nele. Que é colocar algumas peças cromadas, um pouco de ferrugem e rebaixado. Dar um verniz ele e assim rodar pela cidade com ele”, finaliza. E a paixão é acompanhada de perto pela esposa do fotógrafo e reconhecida pelos amigos. E um aniversário no jornal, ele ganhou um bolo pra lá de especial. “Minha esposa Neia encomendou o bolo e eu não sabia. E foi uma dupla surpresa: além da festinha, o bolo tinha o Capitão América em cima. Fiquei feliz demais quando vi”.

    Alemão que virou sucesso no Brasil

    O primeiro Fusca lançado no Brasil foi em 1950, onde foram importadas apenas trinta unidades para o país. O carro vinha desmontado da Alemanha e a empresa responsável pela montagem era a Brasmotor. A Volkswagen, já instalada no Brasil, começou sua fabricação em 1959 pela fábrica Anchieta em São Bernardo do Campo (SP). O carro não demorou para assumir a liderança de vendas no país e ganhou popularidade, sendo o primeiro carro de muitos brasileiros. E ele teve o título de carro mais vendido do Brasil por longos 23 anos. O modelo assumiu essa posição já em 1959 e por lá permaneceu até 1982. No ano seguinte, foi ultrapassado pelo Chevette, que, porém, seguiu no topo por pouco tempo. Daí nasceu a relevância do modelo para o consumidor brasileiro.

    Para se ter uma ideia do tamanho da importância do Fusquinha no país, mesmo depois de encerrada a sua produção, um pedido presidencial o trouxe de volta às ruas, em 1993. O então Presidente da República Itamar Franco tinha o objetivo de incentivar a compra de carros populares no país e pediu para que a VW ressuscitasse o Fusca. O carro foi trazido de volta e fabricado até 1996, quando saiu de linha novamente. Depois, o carro inspirou novas versões da VW como o New Beetle. A última unidade do Fusca foi produzida na planta da Volkswagen em Puebla, no México, em julho de 2019. O Beetle deixou de ser vendido no Brasil em 2017. Esse último modelo foi lançado em 2011, sendo a terceira geração do “besouro”.

    Em números, Volkswagen Fusca foi o primeiro veículo brasileiro a alcançar a marca de 1 milhão de unidades produzidas, já em 1969. Além disso, o ele é o quarto automóvel mais produzido no país na história. Os números são do levantamento publicado pela revista Auto Esporte: cerca de 3 milhões de unidades foram vendidas ao longo de sua existência no Brasil. Somente Gol, Uno e Palio, nesta ordem, ultrapassaram essa marca.

    Fusca agora faz parte da história

    Lançado oficialmente em 1935, na Alemanha, com o nome de Volkswagen, que em alemão significa “carro do Povo”, o projeto do fusca foi um pedido do líder nazista Adolf Hitler ao projetista Ferdinand Porsche, ainda antes da guerra. O ditador alemão queria um carro prático, de fácil manutenção e que durasse bastante. O nome oficial, durante vários anos, foi Volkswagen Sedan. A palavra “Fusca” surgiu de maneira informal: a versão mais aceita é a de ela é uma corruptela de “Volks”. Os alemães só passaram a adotá-lo de maneira oficial, com direito até a emblema na tampa traseira, em 1984. Em outros países, o veículo, do mesmo modo, recebeu diferentes apelidos. Alguns deles também passaram a ser utilizados pela marca alemã, como Beetle.

    Arquivo VW

    Porém a jornada chegou ao fim. Depois de incríveis 81 anos de produção, os alemães anunciaram no fim do ano passado que não usarão novamente a nomenclatura Beetle/Fusca em nenhum lançamento futuro. A marca fez um curta-metragem de animação intitulado ‘The Last Mile’, que foi lançado durante um programa especial de ano novo na rede americana ABC. Agora ficam as memórias afetivas relacionadas ao carro que podem ser compartilhadas nos inúmeros encontros realizados no país. E as histórias são as mais carinhosas possíveis: para alguns, o Fusca era o carro dos pais, dos tios e dos avós; já para outros foi o modelo onde aprenderam a dirigir nele. Todos lembram de passeios, viagens, acontecimentos importantes, a bordo do pequeno grande Fusquinha.

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