Filme indiano ‘Pebbles’ vence em Roterdã

08/fev 07:02
Por Estadão Conteúdo

O filme indiano Pebbles, de Vinothraj P.S., foi o grande vencedor do Festival de Roterdã, encerrado neste domingo, 7, com uma cerimônia virtual. A história de um homem alcoólatra que obriga o filho a acompanhá-lo numa jornada para trazer de volta a mulher que o deixou por sofrer com a violência doméstica levou o prêmio Tigre.

Dois outros longas da competição principal ganharam Prêmios Especiais do Júri: o francês I Comete – A Corsican Summer, de Pascal Tagnati, e Looking for Venera, de Norika Sefa, de Kosovo.

É também o caso do brasileiro Madalena, de Madiano Marcheti, que não foi premiado. Nele, os personagens servem como guias de exploração do Centro-Oeste brasileiro dominado pelo agronegócio e por uma cultura sexista, de indiferença à violência em geral e contra pessoas trans em particular.

A Venera do título vencedor não foi a única mulher a lutar contra a tradição conservadora. A competição Tigre deu destaque a produções sobre mulheres reagindo e resistindo ao assédio, ao machismo, à maledicência, ao estupro e até ao fascismo. No americano Mayday, de Karen Cinorre, a jovem Ana cai num mundo paralelo, à la Alice no País das Maravilhas, em que um destacamento feminino luta contra invasores masculinos, numa guerra dos sexos real. No tunisiano Black Medusa, de ismaël e Youssef Chebbi, uma espécie de noir, uma jovem paga com violência a violência que sofreu. Em Bebia, à Mon Seul Désir, da Geórgia, a cineasta Juja Dobrachkous mostra a luta da modelo Ariadna contra as tradições e as memórias dolorosas do seu passado numa pequena vila rural.

Na competição paralela Big Screen, o grande vencedor foi o argentino El Perro que No Calla, de Ana Katz, sobre Sebastián (Daniel Katz, irmão da diretora), que deseja levar seu cachorro para o trabalho, porque o bicho chora sem parar em sua ausência. “Este é um filme emotivo sobre como sobreviver à realidade da adaptação”, disse a cineasta em seu discurso de agradecimento virtual. O brasileiro Carro Rei, de Renata Pinheiro, era um dos concorrentes desta mostra.

O júri da competição de curtas Ammodo Tiger escolheu três obras: Sunsets, Everyday, do paquistanês Basir Mahmood, Terra Nova, dos cubanos Alejandro Pérez Serrano e Alejandro Alonso Estrella, e Maat Means Land, da cineasta indígena baseada na Califórnia Fox Maxy. O curta Manifesto, de Ane Hjort Guttu, da Noruega, venceu o prêmio KNF.

O prêmio da FIPRESCI (Federação Internacional de Críticos de Cinema) foi para o tailandês The Edge of Daybreak, de Taiki Sakpisit. O júri jovem escolheu La Nuit des Rois, de Philippe Lacôte, candidato da Costa do Marfim a uma vaga no Oscar de produção internacional.

Já o público votou em Quo Vadis, Aida?, dirigido por Jasmila Zbanic e candidato da Bósnia ao Oscar, como seu favorito. “Espero que o prêmio ajude a conscientizar que existem ainda 1.700 corpos desaparecidos, com mães como Aida à procura de seus filhos”, disse a diretora em seu agradecimento, referindo-se ao massacre de Srebrenica, em que 7 mil muçulmanos foram executados.

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