Falta de médicos dificulta a liberação de novos leitos de covid

18/abr 14:17
Por Luana Motta

A dificuldade para contratação de equipes médicas é um problema que atinge tanto a rede pública quanto a privada em Petrópolis. Seja pelo esgotamento dos profissionais ou pelas propostas pouco tentadoras para o regime de trabalho, a verdade é que está cada vez mais difícil ampliar o atendimento pela falta de mão-de-obra. Na rede pública, a população sente o impacto na falta de mais médicos nas portas de entrada de urgência, ou pelo tempo de espera, que se tornou a média de 5h desde a triagem até a entrevista com o profissional. E ainda mais grave: há leitos, mas não há equipe para administrá-los.

Quase todos os dias a Tribuna recebe relatos e denúncias de pacientes que encontram dificuldades para conseguir o atendimento. Neste sábado(17), uma paciente entrou em contato com o jornal relatando que esteve na UPA Cascatinha (Vermelha) na sexta-feira a noite, e não tinha médico para atender os novos pacientes. Quando retornou no sábado, ficou mais de 5h a partir da triagem aguardando. “Muitos acabaram desistindo e foram embora”, relatou a paciente que pediu para não ser identificada.

No fim de março, a Tribuna noticiou a denúncia de um paciente que aguardou por quase 10 horas pela liberação da internação na UPA Cascatinha. Nesta semana, três médicos do Hospital Municipal Nelson de Sá Earp informaram a dispensa de duas funções. Segundo a Secretaria de Saúde, os profissionais precisaram se desligar porque foram convocados para a residência médica. Além das unidades de saúde básica, como no Sargento Boening e no Santa Isabel, no Caxambu, que estão há, pelo menos, 8 meses sem profissional médico

O agravamento da pandemia fez superlotar as urgências, as internações explodiram e além do temor de que falte insumos, kit entubação e oxigênio, como aconteceu na cidade de Manaus, no Amazonas, no início do ano, a falta de equipes se tornou a grande preocupação.

Abertura de novos leitos depende da contratação de equipes

Neste domingo(18), dados do Painel Covid-19, mostram que os 124 leitos de UTI do SUS ou pactuados com o Município estão disponíveis. Destes, 25 estão vagos. Já os leitos clínicos, dos 141 leitos, há 43 vagos, e 14 bloqueados. A Secretaria Municipal de Saúde explica que os leitos bloqueados geralmente são em razão de falta de equipe médica ou problemas com os leitos, como falta de equipamentos e insumos. Esses 14 leitos bloqueados fazem parte dos 51 leitos clínicos do Hospital Santa Mônica que foram requisitados pelo município no dia 18 de março.

No dia 02 de abril, a Prefeitura assumiu os leitos de covid do Hospital Clínico de Corrêas, a requisição dá poderes ao governo municipal para administrar o espaço físico, a infraestrutura e os recursos humanos já contratados direta ou indiretamente pelo hospital. Da promessa dos 20 leitos que seriam abertos, apenas 15 foram liberados. Sendo que, deste total, 11 já haviam sido pactuados em janeiro deste ano pelo município e não estavam em pleno funcionamento.

Na semana passada, em reunião com o Ministério Público Federal e Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o diretor do Sehac, Filipe Fortuna disse que as equipes do Sehac vem prestando apoio operacional na gestão dos leitos de UTI do Hospital Clínico de Corrêas. Segundo o diretor do Sehac, o hospital estava com enorme dificuldade gerencial, não havendo sistema de farmácia e manutenção na unidade.

Saúde reajusta salários para viabilizar contratação de mais médicos

A Secretaria Municipal de Saúde reconhece que há dificuldades para completar os plantões médicos semanais. E disse à Tribuna que vem buscando alternativas para garantir profissionais nas unidades. “Essa dificuldade, em Petrópolis, não é restrita aos pontos de atendimento à covid-19 e tem sido registrada também em outras cidades, em função do aumento na demanda por médicos e demais profissionais de saúde durante a pandemia”, disse a Secretaria.

A Prefeitura disse que conseguiu reajustar os valores pagos pelo plantão, na tentativa de tonar as vagas mais atrativas e está cobrando do Sehac, responsável pela administração das UPAs e dos pontos de apoio, bem como aos responsáveis pelas unidades pactuadas, empenho para a regularização dos quadros de profissionais.

Na rede privada a situação não é diferente, o presidente da Unimed Petrópolis, o médico Rafael Gomes de Castro, já havia alertado sobre o mesmo problema no mês passado. Por causa do colapso na rede de saúde, o Hospital Unimed chegou a abrir cinco leitos de UTI dentro do Centro Cirúrgico, contando com o apoio da Unimed Resende, que emprestou bombas de infusão e equipes para operacionalizar os leitos. O Hospital SMH – Beneficência Portuguesa e o Hospital Santa Teresa também fizeram o mesmo alerta aos Ministérios Públicos.

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