Falta de flexibilidade no comércio deixa emergentes mais expostas à tarifas dos EUA, diz IIF
As economias emergentes mais vulneráveis às tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, são aquelas que não possuem disparidades significativas de tarifas sobre exportações americanas e flexibilidade para mudar fluxos no comércio, avalia o Instituto de Finanças Internacionais (IIF), em relatório divulgado nesta quinta-feira.
O IIF aponta que essas economias devem ficar mais expostas à saída de capital, enfraquecimento de moedas locais, declínio na confiança dos investidores e instabilidade econômica. Entre os países analisados pela instituição, México, Tailândia e Malásia enfrentam o maior risco aos efeitos das tarifas, por impor tarifas elevadas ao mesmo tempo em que possuem alta dependência dos EUA. Já Coreia do Sul, Argentina e Colômbia tem variação no nível de exposição a depender do setor.
“Os países emergentes serão forçados a recorrer a negociações diplomáticas, diversificação do comércio ou medidas domésticas direcionadas a mitigar os impactos”, prevê o relatório.
De todo modo, realinhar os fluxos de comércio ou ajustar políticas domésticas podem trazer outros riscos para as economias emergentes, como pressões inflacionárias, desequilíbrios fiscais e perspectivas mais fracas de crescimento econômico.
O relatório não menciona os riscos diretos ao Brasil, mas o IIF destaca que o país tem taxa moderada de exportações para os EUA em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, atrás de países como Índia e China e em nível significativamente menor do que países mais dependentes da demanda americana, como México e Vietnã.