Estudo investiga impacto da pandemia em atletas brasileiros

26/jul 11:07
Por Redação/Tribuna de Petrópolis

A pesquisadora Jamila Perini, da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) e do Instituto de Traumatologia e Ortopedia (Into), ambos no Rio de Janeiro, estuda qual o impacto da pandemia em atletas brasileiros. Cerca de 600 atletas, entre 18 e 45 anos, de mais de 20 diferentes modalidades esportivas participam da pesquisa.

O estudo analisa a repercussão biológica, psicológica e social da covid-19 em atletas brasileiros, com o intuito de avaliar a prevalência da doença e identificar os fatores epidemiológicos, clínicos, atléticos, estilo de vida e de saúde associados à doença provocada pelo vírus SARS-CoV2 nesses indivíduos, incluindo o impacto financeiro e também psicológico.

No primeiro inquérito realizado por entrevistas online, no período de agosto a novembro de 2020, foram recrutados 414 atletas, após divulgação em redes sociais, e mais de 680 clubes e federações. Os primeiros resultados já foram publicados, neste ano, no periódico Biology of Sport. As análises sobre o impacto psicológico da pandemia, da quarentena e das dificuldades dos atletas em treinar e da falta de patrocínio estão em finalização. Mas os pesquisadores já identificaram que, durante a pandemia, os sintomas como ansiedade, insônia, depressão ou estresse foram autodeclarados por cerca de 80% dos 578 atletas que já responderam o questionário. Dentre esses, 513 (88,7%) relataram sintoma de estresse, 420 (72,7%) insônia, 268 (46,4%) ansiedade e 157 (27,2%) depressão.

Entre os dados já publicados, a investigação mostrou que menos de 50% dos atletas fizeram testes para covid no período. O baixo índice ocorre porque muitos dos entrevistados são de baixa renda, ficaram sem patrocínio durante a pandemia e utilizam o SUS. Dentre aqueles que fizeram teste de covid-19, 8,5% tiveram a doença. Mais de 25% dos atletas com teste negativo ou não testado relataram mais de três sintomas característicos do covid-19, e 11% dos atletas com teste positivo para doença eram assintomáticos.

Durante a pandemia, os atletas perderam patrocínios e tiveram que readaptar seus treinos, incluindo locais inadequados e a falta de treinadores. Com isso, quase 20% dos entrevistados relataram lesões musculoesqueléticas durante o período.

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