Estancorp cria marca de ‘moradia por assinatura’

28/ago 18:50
Por André Jankavski / Estadão

O mercado de moradia por assinatura acaba de ganhar mais um concorrente e que tem um pé na hotelaria. A Estancorp, que atua como incorporadora e administradora de edifícios, incluindo os hotéis Estanplaza, decidiu criar a marca eConfor para alugar parte dos seus imóveis para aqueles clientes que estão em busca de um lugar para morar, mas que não querem abrir mão de um serviço diferenciado.

Não por acaso, a ideia é sair do nicho de apartamentos em formato de studio, que empresas como a Housi, da construtora Vitacon, atuam, para alcançar moradores em busca de conforto e espaço. E, claro, que gastariam mais com a estadia. “Temos até apartamentos menores, de cerca de 40 metros quadrados, mas é uma premissa nova que eles possuam cômodos separados, com quarto, sala e cozinha”, diz Otávio Suriani, presidente da eConfor.

A empresa nasce com uma considerável carteira de imóveis: são sete empreendimentos no Estado de São Paulo, com 500 apartamentos à disposição com valor patrimonial equivalente a R$ 350 milhões. A meta da eConfor é dobrar o patrimônio administrado, mas chegando a 2 mil imóveis ofertados até 2024 e, até lá, a empresa não pensa em uma expansão para outros Estados.

O que auxiliou a eConfor a nascer com um grande número de imóveis foi a crise: a Estancorp sofreu bastante durante a pandemia. A companhia costumava alugar boa parte dos seus mais de 1,5 mil apartamentos para multinacionais e grandes empresas que traziam funcionários de outras regiões do Brasil e também do exterior.

Mas aí veio a pandemia e praticamente paralisou esse negócio, e os custos aumentaram, afinal todos os prédios são administrados pela própria Estancorp. Para completar, os hotéis também viram as suas ocupações minguarem. A companhia viu o faturamento de todos os seus negócios cair pela metade no ano passado, a R$ 150 milhões.

“Tentamos ver como fazer uma limonada com esse limão da pandemia, e a crise foi uma oportunidade para mudança”, afirma Suriani. “Vimos que o mercado corporativo iria demorar para retomar e que precisávamos de outras fontes de receita para fazer um negócio mais resiliente.”

Agora, a empresa já está tendo um contato com clientes bem diferente do que estava acostumada. De acordo com Suriani, o perfil é bem variado: desde idosos que decidiram morar em regiões mais centrais e que não querem pensar em levar móveis e eletrodomésticos de uma região para a outra, até jovens solteiros e casados que decidiram morar mais próximos do trabalho, mesmo com o crescimento do home office.

A meta da companhia é de que a eConfor represente cerca de 30% do faturamento da Estancorp no médio prazo e metade em um período mais longo.

Por isso, a expansão da eConfor continuará sendo em locais com um grande número de sedes de empresas. Por enquanto, há opções de apartamentos em regiões como Berrini, Itaim, Jardins, Moema, Vila Olímpia e na região da Avenida Paulista. A empresa também oferece imóveis de frente para o mar na cidade de Santos, próximo à praia do Gonzaga.

Conforto

A companhia quer atrair clientes que procuram por um conforto maior do que se tivessem alugado um apartamento em alguma imobiliária convencional. Entre os serviços à disposição estão a arrumação do apartamento duas vezes por semana e eletrônicos e eletrodomésticos de ponta. Além disso, o inquilino não gasta um centavo com qualquer tipo de manutenção do imóvel: se uma lâmpada queima, por exemplo, ela é prontamente substituída sem um aumento do valor.

Isso não quer dizer que os aluguéis são baixos. Para locar um apartamento de 113 metros quadrados nos Jardins, por exemplo, o cliente vai gastar R$ 18 mil por mês. Na região da Berrini, um imóvel de 40 metros quadrados sai por R$ 4,6 mil. A estadia mínima no local é de 30 dias.

Para Alberto Ajzental, coordenador do curso de Desenvolvimento de Negócios Imobiliários da Fundação Getúlio Vargas, serviços prestados por empresas como a eConfor e a Housi são um ponto intermediário entre um aluguel convencional ou no Airbnb e uma estadia no hotel.

“Essas empresas podem agregar outros serviços a essas estadias e passam a criar uma briga interessante com o Airbnb e o aluguel convencional, ainda mais pela facilidade de cancelamento. E o cliente pode optar por ter um imóvel com cara de casa, mas com os mimos que se veem nos hotéis”, afirma Ajzental. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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