• Especialista explica o que pode acarretar chuvas intensas; cidade está em alerta para temporais nos próximos dias

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  • 21/mar 08:14
    Por Maria Julia Souza

    A Defesa Civil de Petrópolis e institutos de meteorologia emitiram um alerta para chuvas intensas que devem atingir o município até o próximo domingo (24), com a quantidade de chuva esperada para todo o mês de março ocorrendo em até 24 ou 48 horas.

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    O engenheiro agrônomo e integrante do grupo “Vigilantes da chuva”, Rolf Dieringer, explica que quanto maior for o calor, maior vai ser a evaporação da água do mar e com a maior evaporação, mais chuva em potencial se terá na atmosfera.

    “O ar tem uma certa capacidade de reter uma certa umidade. Quanto maior a temperatura, mais quantidade de água ele consegue absorver. Depois, quando a temperatura esfria, ele não consegue mais reter tanta água e essa diferença desce sob forma de chuva”, explicou.

    Ele exemplifica ainda citando a onda de calor que têm atingido várias partes do país nos últimos dias.

    “Quanto maior a diferença da temperatura que você tem agora em uma onda de calor, com a temperatura chegando em 35ºC e 38ºC, e ela caindo 10ºC e passando para 25ºC, são quase 13ºC ou 10ºC de diferença. Aí você tem uma grande queda de temperatura e um grande excesso de água na atmosfera, que cai sob chuva. Por isso que essa chuva é generalizada, não vai ter só na Serra, vai atingir toda a Região Sudeste”, explicou o especialista.

    Probabilidade de chuva em menor intensidade

    O especialista explica ainda que existe a possibilidade da chuva esperada para os próximos dias não vir na intensidade prevista, mas reforça a necessidade de estar pronto e se prevenir caso a previsão de chuva forte se confirme.

    “Nós temos dois cenários: se a chuva entrar de manhã, então você não tem o grau de temperatura muito alto, e se você não tem uma diferença de temperatura muito grande, então também não tem uma diferença de retenção de água na atmosfera. Então se a frente fria entrar de madrugada ou cedo, nós com certeza vamos ter uma frente fria com menos chuva. Se ela entrar no final da tarde, ai junta o calor do dia com a entrada de frente fria. Ai nós vamos ter uma diferença maior de temperatura e consequentemente mais precipitação. Por isso que no final do dia as tempestades são sempre maiores. Existe também a possibilidade da frente virar para o mar e só ter uma pequena influência dela [frente fria] aqui”, explicou.

    Intensidade de chuva semelhante as de 2011 e 2022

    Segundo Rolf, a quantidade de chuva prevista é semelhante as de 2011 e 2022, mas ele destaca que o que vai determinar os fatos que podem ocorrer, é a localidade que a chuva irá se deslocar.

    “Nós temos que perceber duas coisas: em 2011 nós tivemos 140mm, mas nós tivemos isso no Cuiabá. No Centro foram 30mm e não aconteceu absolutamente nada, então isso depende muito de onde a chuva vai cair. Como no Vale do Cuiabá, a chuva está vindo do interior do Brasil e agora, possivelmente, ela vem a partir do mar. Então possivelmente nós vamos ter chuvas mais fortes na Zona Sul da cidade, como Alto da Serra, Quitandinha e Bingen, por exemplo, onde deve chover bem mais do que em Itaipava e Posse”, disse ele.

    Já em relação a quantidade de chuva que atingiu o município em 2022, ele destaca que a primeira, do dia 15 de fevereiro, foi excepcional.

    “Eu diria que a primeira chuva foi absolutamente excepcional, porque juntou uma frente fria com uma chuva orográfica. Um temporal de final de dia, junto com uma entrada de frente fria. É raro acontecer isso, mas essa possibilidade existe, não pode ser descartada. Então a quantidade de chuva também vai depender da intensidade dela [chuva]. Então, se eu tenho 200mm espalhados em 20 horas, eu vou ter 10mm de chuva por hora e não vou ter enchente. Mas se eu tiver 120mm ou 130mm em duas horas, eu vou ter deslizamentos e ainda vou ter enchentes também. Tudo depende da intensidade de como a frente fria vai estar entrando”, explicou Rolf.

    Prevenção

    Ele destaca as principais formas de prevenção para a população, em caso de chuvas com mais de 100mm, que podem ocasionar deslizamentos de encostas.

    “Se a chuva tiver 100mm e você é residente das áreas de risco nas encostas, a partir de 100mm existe um perigo de deslizamento de encostas. É o que aconteceu, por exemplo, no Morro da Oficina, em 2022. Choveu mais do que 100mm e infelizmente poucos saíram. Então, se a chuva atingir 100mm nas encostas, vão tocar as sirenes, e quem mora em encostas onde não está ligado com sirene, deve ir para os pontos de apoio indicados pela Defesa Civil”, destacou.

    Ele finaliza alertando o risco da população em se arriscar em áreas alagadas.

    “Quanto as enchentes, são os famosos cuidados de não entrar com carro em rua inundada, porque ela pode ter buraco ou fio desencapado. Então qualquer tipo de rua que esteja alagada, deve-se evitar de entrar com o carro. Jamais passar com o veículo em rua alagada. E principalmente também nas áreas que podem ser inundadas. Deve-se sair delas e não tentar passar em alguma área, correnteza ou em algum lugar que pode ter buraco e você pode ser arrastado”, finalizou.

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