Em ano de pandemia, cresce índice de mortes de rodoviários e comerciários: preocupação em Petrópolis

06/abr 15:17
Por Victor Carneiro

Rodoviários, frentistas e operadores de caixas de supermercado são algumas das profissões em que os colaboradores não podem trabalhar em casa na modalidade home office. Diante dessa impossibilidade, essas foram algumas das ocupações que
mais registraram aumento de mortes no Brasil, segundo dados divulgados pela Lagom Data, com base em informações do Ministério da Economia e publicado pela coluna Les Partisans desta terça-feira (6). Isso causa preocupação por parte desses profissionais em todo o país – inclusive em Petrópolis.

Frentistas tiveram um aumento de 68% na comparação das mortes entre janeiro e fevereiro de 2020, período pré pandemia, com o mesmo período de 2021, em todo o Brasil. Os operadores de caixa de supermercado perderam 67% dos profissionais; e os motoristas de ônibus, 62%.

Esses dados sobre o aumento no número de óbitos vêm de uma análise do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O sistema coleta todos os meses, informações sobre os contratos de emprego. As informações sobre encerramento do vínculo empregatício também são coletadas, inclusive quando a morte é um dos motivos. Porém, a causa da morte não é informada e, por isso, não se pode cravar que todo esse aumento de óbitos se deve apenas à Covid-19.

A Tribuna entrou em contato com os Sindicatos dos Rodoviários e dos Comerciários de Petrópolis, para saber quais medidas as entidades vem tomando, visando a integridade dos trabalhadores destas classes.

O Sindicato dos Rodoviários destacou que trabalha de “forma ativa para que a sociedade entenda o papel dos trabalhadores da categoria e como eles estão em situação de risco contínuo” e que vem solicitando apoio e cuidado aos trabalhadores junto ao Setranspetro, através de ofícios.

Entre as solicitações, estão: fornecimento diário de álcool em gel aos rodoviários; disponibilização de pias, com água e sabão para higienização das mãos; restrição para que o transporte de passageiros seja realizado somente com passageiros sentados; afastamento imediato dos funcionários com mais de 60 anos das atividades; e aumento na frequência de limpeza de locais onde muitas pessoas colocam as mãos. O Sindicato informa, ainda, que já se posicionou com o governo interino, solicitando que os rodoviários “fossem percebidos como prioritários, assim como os profissionais da saúde” e que após conhecimento da pesquisa veiculada, enviará ofício à Prefeitura Municipal solicitando a inclusão da categoria na vacinação emergencial.

Já o Sindicato dos Comerciários de Petrópolis informou que os profissionais de serviços essenciais, como supermercados e farmácias “estão mais expostos ao contato com o público e, consequentemente mais suscetíveis à contaminação”. A nota destaca que, em vistorias realizadas, foi constatada “a colocação de protetores, a utilização de máscara e o controle de entrada dos clientes”. O Sindicato não tem informação precisa quanto ao número de profissionais que testaram positivo e nem o número de óbitos na categoria.

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