
Dois anos depois: sem abrigo na Floriano Peixoto, sem radar, obras incompletas, plano de ação no improviso e disputa política
É uma sucessão de enganos nas tomadas de decisões que não vêm acompanhadas de medidas resolutivas. Vejam que na sexta-feira, as empresas de ônibus anunciaram que recolheriam seus veículos às garagens às 21h30. Quem autorizou isso sem que houvesse uma outra opção de deslocamento? Porque nem todos são servidores públicos e tiveram ponto facultativo. Pessoal que trabalha em supermercados, farmácias, hospitais particulares, como cuidadores de idosos, enfim, uma gama expressiva de gente, ficou a pé. Contaram sabe com o que? Caronas solidárias organizadas em grupos de whatsapp fornecidas em boa parte por motoboys.
Improviso
A prefeitura teve dois dias para organizar um esquema especial de deslocamento, assim como providenciar um ponto central para armazenar água, comida, colchoes e roupas para serem levados a pontos de apoio e à casa de parentes onde desalojados foram hospedados. E não o fez. Foi tudo, mais uma vez, no supetão.
Sem abrigo
Dois anos depois de ‘comprado’, o abrigo da Floriano Peixoto que, na ocasião custa R$ 3,5 milhões, mas hoje teria aumentado para R$ 4 milhões, continua fechado. São 10 apartamentos de um quarto e 22 quitinetes que seriam usadas como alojamento provisório aos desabrigados. Mas o prédio, com algum imbróglio de compra, nem foi reformado ainda.
Correria
Foi impressão nossa ou o prefeito Bomtempo fez como o carioca Eduardo Paes e o governador Cláudio Castro e se manteve – assim como parte do seu governo – fazendo vídeos para as redes sociais do centro de operações? Bomtempo só saiu para ir ao Independência, onde foi registrada a situação mais grave, à noite, quando o governador já estava chegando a Petrópolis.
Alfinetada
Pelo menos, desta vez, Bomtempo recebeu Castro na prefeitura e, aparentemente, as esferas começaram a cooperar, ao contrário de 2022. Mas, Bomtempo não perdeu a viagem e nas redes sociais agradeceu a ‘visita’ do governador, mesmo com Castro tendo anunciado que ficaria na cidade com uma força-tarefa e trabalhando. E ainda assim, formaram dois locais distantes um do outro para as operações: Castro ficou no Corpo de Bombeiros e Bomtempo no Cimop.

Responsabilidades
Os políticos, com raras exceções, apanharam firme nas redes sociais ao dar entrevistar ou publicar vídeos. Bomtempo pelos quatro mandatos e a falência de política habitacional e ainda pela gestão da crise, Castro pelas obras que não foram iniciadas e deputados e vereadores porque não cobraram ações.
Radar
Dois anos depois a gente não tem um radar próprio e nem conveniou com a prefeitura de Niterói nem com a UFRJ para usar o deles emprestado. Um radar banda x é uma nova tecnologia que prevê a localização exata de temporais com pelo menos quatro horas de antecedência permitindo a evacuação das áreas. A gestão Bomtempo não se mexeu pra providenciar um e dois anos após a tragédia, em janeiro, o Estado disse que ia investir R$ 34 milhões para comprar um para Petrópolis e outro para Friburgo, isso com recursos do Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam). A última esperança é que Bernardo Rossi, agora como secretário estadual de Meio Ambiente, que gere Fundo, faça essa compra do radar.
Sem Broadcast
Nos Estados Unidos, Europa e Japão, os portadores de celulares recebem alertas sonoros mesmo com os aparelhos desligados, informando sobre situações de risco como tempestades, nevascas, tsunamis ou ameaças de terrorismo. No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou testes com essa tecnologia, chamada Broadcast, em sete cidades, incluindo Petrópolis e Angra dos Reis. No entanto, a implementação do programa está atrasada, apesar da previsão de início dos testes para janeiro, segundo informações das defesas civis municipais.

Sem luz
Porque a gente insiste que a evacuação tem que ser ainda quando nem começou a chover: sexta-feira, depois do desabamento com vítimas, o Independência, estava um breu. A luz é a primeira coisa a falhar quando chove. Como sai de casa com criança, pet, idoso, cadeirante, debaixo do temporal, na enxurrada e no escuro?
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