Dinheiro, o “menino-deus”

  • 29/04/2016 09:35

    Antes de mais nada, peço emprestado o termo “menino-deus” ao meu eterno patrono, professor Décio Duarte Ennes, desde quando pertencia à ABP, pela memória, admiração e respeito que lhe dedico.

    O espetáculo deprimente a que estamos assistindo com venda a varejo do caráter ( será que alguém sabe o que seja?) de nossos políticos, é revoltante ao mesmo tempo que humilhante para as pessoas de bem, vendo o governo falido despender verbas que não possui em detrimento do mínimo devido à população.

    Diante da sofreguidão com que muitos, principalmente esses políticos, anseiam pelo dito vil metal e contrariando a definição dada pela colunista Martha Medeiros que, ao criticá-lo, o classifica de “majestade”, já que ele vem a ser muito mais que um rei – é um deus – e é menino pois todos, nunca estão satisfeitos e sempre querem mais, sempre olhando para alguém mais rico. Portanto, apesar dele ser um deus para eles, será sempre menino por ser insuficientemente grande para satisfazer tais ambições.

    E esse mal não é exclusivo dos políticos. Há muitos anos, um cantor que rapidamente se projetou com música sertaneja, possuindo fazenda, gado, avião e outras coisas mais, durante uma entrevista, questionado se estaria rico, respondeu – “ Não, quem está rico é o Roberto Carlos, que tem iate”. Agora, somos surpreendidos por um ator de televisão casado com uma atriz, por ser comparado à dupla Jay Z e Beyoncé (que enm sei quem são por fazer meu gênero musical), declarou : “A gente trabalha muito mais e ganha muito menos” – externando, talvez, todo o seu subconsciente esquecendo-se de agradecer e contentar-se com a bela trilha concedida e conquistada, quando muitos desejariam apenas usufruir de algumas migalhas de tal privilégio.

    Assim, o poeta Affonso Celso bem definiu essa situação em seu poema “Ambição” : “Quem se emaranha em tua rede,/ leis não conhece, olvida o lar -/ o teu licor não mata a sede :/ faz beber mais, até matar.”

    Convenhamos, o dinheiro nunca poderá ser a meta de uma vida mas sim, sua conseqüência natural para poder sobreviver com dignidade, proporcionando razoável conforto e ainda poder guardar algum para eventuais necessidades, mas não transformá-lo em cocaína, quando mais sorve mais quer, como bem definiu o poeta, em poucas palavras. É a eterna insatisfação do ser humano.

    Por tais mesquinharias – já que a ganância por dinheiro não passa de uma mesquinharia e de uma usura – que escrevi o soneto “Alma desnutrida”

    Quando da alma se crê numa existência, / inda há que se crer ser a vida inteira / tão frágil quanto estranha e passageira, / para dela extrair-se toda essência.

    Da vida muitos vêem só aparência / sem atentar que existe uma soleira / onde há, por contingência, uma urdideira / para tecer as teias da evidência.

    Será a vida para alma um alimento, / como organismo exige da comida, / da qual dependerá o seu sustento.

    Prepotência, ganância  desmedida, / desprezam com desdém cada momento, / deixando ao léu tanta alma desnutrida.

    Diante de tais circunstâncias e realidades, é que sempre bato na mesma tecla, para puxar à tona a religiosidade de cada um, como o sr. José Carlos Bumlai, fazendeiro e amigo do peito de Lula, que possui uma capeta em sua fazenda, onde vai orar diariamente – obviamente para pedir ajuda divina para poder protegê-lo de tanta corrupção. Como dizia num velho programa de televisão – “há sinceridade nisso?”.

    jrobertogullino@gmail.com

    Últimas