Dez anos após tragédia do Vale do Cuiabá, 47 mil pessoas ainda moram em áreas de risco

13/jan 12:13
Por Janaina do Carmo

Dez anos após a tragédia das chuvas no Vale do Cuiabá e arredores, em Itaipava, Petrópolis ainda tem 47 mil pessoas vivendo em áreas de risco nos cinco distritos. A ocupação desordenada, a falta de políticas públicas habitacionais, a ausência de uma fiscalização mais rigorosa e sem obras efetivas de contenção nas encostas faz com que ano após ano os temporais de verão continuem causando mortes e destruição.

O Plano Municipal de Redução de Riscos apresentado pela Prefeitura de Petrópolis em 2017, listou 234 locais considerados como risco alto ou muito alto para deslizamentos, enchentes e inundações. A área crítica equivale a 18% do território da cidade onde vivem mais de sete mil famílias. De acordo com o levantamento, 25,9% das pessoas que vivem nesses locais de risco precisam ser reassentadas.

Desde a tragédia do Vale do Cuiabá, poucas moradias foram entregues e a cidade tem um déficit habitacional de cerca de 12 mil unidades. “Nessa última década tivemos várias tragédias provocadas pelas chuvas de verão. Tivemos em 2008, 2011, 2013 e em todas elas tivemos governadores do Estado visitando a cidade com promessas de construção de moradidas para os desabrigados e promessas de obras que nunca saem do papel”, comentou o diretor do Instituto Civis, Mauro Corrêa.

Esta semana, lembrando os 10 anos da maior tragédia climática ocorrida no Brasil, o governador em exercício Claudio de Castro visitou Petrópolis e as cidades mais atingidas pelas chuvas de janeiro de 2011. Eleanunciou obras e investimentos, que somam cerca de R$ 500 milhões para a Região Serrana do Rio de Janeiro. No entanto, o governador não apresentou datas para a entrega de moradias e indenizações para as vítimas do Vale do Cuiabá, que aguardam até hoje na fila do Aluguel Social.

O governador ressaltou a importância da fiscalização das construções irregulares como forma de prevenção. “Todo o ano a gente tem Carnaval, Páscoa, Natal e também temos a tragédia das chuvas em nosso Estado. Temos que tentar mudar essa realidade retomando obras que estavam paradas, elaborando um plano de contingência efetivo e principalmente, fiscalizar as construções irregulares. É preciso que os municípios comecem a dizer não para essas construções e fiscalizem de forma eficaz”, pontou o governador. O prefeito interino Hingo Hammes, também ressaltou a importância de intensificar as fiscalizações e garantiu que ações neste sentido serão realizadas.

O reassentamento das pessoas que moram em áreas de risco alto e muito alto é uma das medidas apontadas pelo Plano Municipal de Redução de Riscos. O documento também prevê a limpeza de rios e canais de drenagem, a realização de obras de drenagem e contenção, o reflorestamento de áreas degradadas, o desmonte ou fixação de blocos de pedras (ou até mesmo a implantação de barreiras dinâmicas) e a demolição das moradias localizadas nas áreas de risco alto e muito alto e recuperação ambiental do espaço, após a retirada e reassentamento dessas famílias.

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