D. Pedro ll em Petrópolis

  • 11/05/2016 10:35

    Em tempos de tantos escândalos na política nacional e corrupção, quero neste texto, destacar o legado e o exemplo impecável de um verdadeiro governante.

    D. Pedro ll nasceu na Cidade do Rio de Janeiro, no Palácio da Quinta da Boa Vista (São Cristóvão), em 2 de dezembro de1825, filho de D. Pedro l e Dona Leopoldina. Quando da abdicação de seu pai, em 7 de abril de 1831,contava com pouco mais de cinco anos de idade. Na manhã de 23 de julho de 1840, assumiu o trono brasileiro. Nesse mesmo ano, libertou todos os escravos que herdara.

    Em 1843,casou-se com Dona Teresa Cristina, filha do rei das Sicilias, Francisco l. Do matrimônio nasceram quatro filhos: D. Afonso (1845-47); Dona Isabel(1846- 1921); Dona Leopoldina(1847-71) e D. Pedro Afonso (1848-50).

    Fundada Petrópolis,o jovem imperador ordenou a construção do Palácio Imperial, obra iniciada em janeiro de 1845. Dois anos após, passou o primeiro verão nesta cidade, ficando hospedado na casa da Fazenda do Córrego Seco. 

    Excetuando-se o período de 1865 a 1869 (Guerra do Paraguai), D. Pedro ll costumava passar os verões em Petrópolis, prolongando sua permanência por quase seis meses, quando se dedicava a seus estudos prediletos, visitava escolas, interrogava alunos e percorria a pé ou a cavalo as ruas da cidade.

    Homem de vasta cultura, dominava vários idiomas. Entre eles, o francês, o inglês, o alemão,o grego, o italiano e o latim, tendo publicado traduções de várias obras escritas nessas línguas.

    Manteve, durante décadas, correspondências com os sábios de sua época nas próprias línguas deles.

    Por duas vezes, em 1871 e 1875, visitou a Europa, conquistando a estima e a admiração dos homens de ciência europeus, pela sua vasta sabedoria. Todas as despesas eram pagas do seu próprio bolso.

    Coração bondoso, auxiliou sempre os talentosos. Como por exemplo, Henrique Oswald, pai de Carlos Oswald- o poeta da luz (autor das obras dos vitrais, da Catedral São Pedro de Alcântara, do trono de Fátima e de diversas obras espalhadas no Rio de Janeiro). Grande parte de sua dotação anual era gasta em esmolas e pensões a famílias pobres e antigos servidores do Estado. Tal fato ficou provado quando da Proclamação da República. Pelo Decreto número 5, de 19 de novembro de 1889, o Governo Provisório assegurou a continuação do subsídio com que o ex-Imperador pensionava, do seu bolso, a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos.

    D. Pedro ll dedicou sempre o mais desvelado zelo à instrução pública. Por sua sugestão e ajuda foi fundado, em 1864, o Colégio Santa Isabel, destinado à educação de meninas pobres. Quatro anos após, atendendo a pedidos das famílias mais abastadas, colaborou para a construção de um curso primário em regime de internato e externato, para alunas contribuintes.

    Ao Imperador D.Pedro ll, devem ser creditadas inúmeras outras medidas que beneficiaram Petrópolis. Entre elas, podemos citar: auxiliou a construção da Estrada União e Indústria, projetada por Mariano Procópio, que foi inaugurada em1861. Ajudou na construção do Hospital Santa Teresa, inaugurado em 1876. Seu nome é uma homenagem a Dona Teresa Cristina, no terreno doado por Pedro II.

    Seu último ato no Brasil estava relacionado com Petrópolis. Na madrugada do dia 17 de novembro, já a bordo do navio Alagoas que o levaria para o exílio na Europa, assinou uma procuração ao superintendente José Calmon Nogueira Vale da Gama (Visconde de Nogueira da Gama) para cuidar de seus interesses na cidade que fundara em 1843. Na mesma oportunidade, recusara indenização do Governo Provisório, concedida para as despesas de viagem, e instalação na Europa, da família Imperial. Que exemplo!! Sem palavras!! Quem sabe os governantes não se espelham em D. Pedro ll  heim?

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