Crônica do Ataualpa: Obras e atitudes

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  • 06/fev 08:00
    Por Ataualpa Filho

    Converter-se ao bem é um ato de coragem, pois exige um esforço hercúleo, uma vez que é necessário abandonar a vaidade, a inveja. É preciso amar mesmo sem ser amado para vencer o ódio e suplantar o sentimento de vingança. A sensatez que leva à temperança requer o exercício da justiça para que direitos e deveres sejam comuns a todos, por isso despertar a sensibilidade humana é um ato de sabedoria.

    As virtudes não brotam nas pedras, mas na natureza humana. Precisam das nossas ações para florir. São gêneros de primeira necessidade assim como arroz e feijão. Não é só o corpo que necessita de alimento. A vida em sociedade também precisa ser nutrida de bons hábitos para manter-se saudável. Em nossa cesta básica, precisamos ter alguns itens como: honestidade, respeito, empatia, gratidão, resiliência, ponderações…

    A humildade nos leva a servir e nos faz descobrir a dimensão do outro. A Luta para manter os valores morais consiste em uma ação humanitária que beneficia a todos, não somente grupos minoritários. Hoje constatamos a carência de princípios éticos. O corpo social encontra-se debilitado, raquítico. A miséria se alastra. A fome de justiça está exposta nas ruas. Em cada mão estendida implorando ajuda, fica explícita a desigualdade econômica que mata por inanição.

    É visível o empobrecimento crescente da base da pirâmide econômica que sustenta a minoria que insensivelmente ocupa o topo. Muitos que estão na base dessa pirâmide não enxergam mais horizontes, porque não têm condições para ascender socialmente, não só pela falta de uma qualificação profissional, mas também pelas restrições e exigências do mercado de trabalho. Há uma desesperança tão grande que as pessoas não reagem mais, porque ficam sem perspectivas de mudança. Esse estágio de letargia, às vezes, é confundido com conformismo. Ninguém fica conformado de barriga vazia. Não há como se acomodar em estado de miséria. Deparar-se com desigualdades, com injustiças e não se indignar é outro problema. Porém, problema maior de cegueira de consciência está em quem contribui para essa desigualdade e permanece indiferente.

    O mundo não é um ringue, mas querem torná-lo em um campo de batalha, polarizam pobres e ricos, fortes e fracos, ganhadores e perdedores. Os estímulos para a competividade são maiores do que para a solidariedade. Sei que meu desejo de ver o mundo sem fome e sem guerra é uma utopia. Mas não deixo de dizer todos os dias: “assim na Terra como no céu…”

    A guerra está na face do mundo desde as eras primitivas. O aprimoramento da indústria bélica reflete essa conduta conflituosa entre os homens. E a covardia agrava a insanidade desses conflitos, pois nem todos têm acesso às armas que são usadas nesta luta pela sobrevivência. A cada dia, certifico-me de que só sairemos dessa situação de mãos dadas. O egoísmo tenta se justificar pela teoria do “cada um por si e Deus por todos”. Prefiro o lema dos personagens do romance escrito por Alexandre Dumas “Os Três Mosqueteiros”: “ um por todos, todos por um” (unus pro omnibus, omnes pro uno).

    A busca do bem comum não passa pelo discurso da vitimização de uma parcela da sociedade, mas pelo reconhecimento da “Declaração Universal dos Direitos Humanos”. O exercício da cidadania só é possível quando se tem as condições mínimas de sobrevivência. Por isso há uma cobrança constante sobre os gestores público com base nos princípios democráticos. Não há democracia com o povo na miséria.

    Existem pessoas que conduzem a vida dentro dos valores éticos, mas não são adeptas do Cristianismo. Mas quem se apresenta como cristão e age distante dos princípios éticos navega na hipocrisia. Contudo, é preciso que se diga que há o perdão e o arrependimento. O pecado é inerente ao ser humano. É fácil concluir que pessoas hoje consideradas santas cometeram pecados, porém converteram-se. Mudaram o curso da vida pela prática do amor tanto na dimensão humana, quanto divina. Como exemplo, temos: Santo Agostinho, São Paulo Apóstolo…

    Hoje as certezas cristalizadas na ignorância que negam o óbvio provado cientificamente dificultam a propagação da verdade imprescindível na formação de uma consciência social fundamentada no bem da coletividade. O “amar o próximo como a si mesmo” não se restringe à prática da cidadania pautada na responsabilidade social, vai mais além: revela uma inspiração divina em que se exalta o Supremo Bem para que haja Paz na Terra.

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