Constrangimento em restaurante é repudiado por Comissão da Câmara e Coletiva Feminista Popular

21/jan 19:29
Por Luana Motta

Não é a primeira vez – mas continuamos torcendo para que seja a última – que uma mulher é ofendida por comentários machistas. No último dia 10 de janeiro, a comerciária Patrícia Melo, de 42 anos, foi constrangida por um dos funcionários do restaurante da Bohemia, no Centro, ao ser identificada na comanda como “moça do peitão”. O caso de desrespeito teve grande repercussão e foi repudiado por pela Coletiva Feminista Popular e pela vereadora Gilda Beatriz, presidente da Comissão dos Direitos da Mulher na Câmara Municipal.

“Não tem como falar que não houve machismo e preconceito contra nós mulheres nesse episódio. Esse não é o primeiro caso que acontece na nossa cidade. E a gente tem que repudiar. Eu, como presidente da Comissão dos Direitos das Mulheres, repudio esse tipo de atitude”, disse Gilda Beatriz, que também comentou sobre o caso na seção plenária desta quinta-feira (21).

A Coletiva Feminista Popular enviou uma nota repudiando o constrangimento sofrido por Patrícia. “O caso de assédio sofrido pela Patrícia de Melo em nossa cidade reflete um sintoma do sistema patriarcal que ainda é muito forte e presente: a objetificação das mulheres. Esse sistema normaliza o reducionismo do nosso corpo a um ou outro atributo, com frequência através de um olhar sexualizado. Esse sistema que garante a cultura do estupro, os altos índices de feminicídio, a defasagem nos salários, o desemprego, o trabalho doméstico não remunerado e as jornadas duplas e, muitas vezes, triplas”, diz um trecho da nota.

A Coletiva ainda pontuou sobre os índices alarmantes de violência contra a mulher em Petrópolis “o caso da Patrícia não só reafirma o cenário violento ao qual nós, mulheres de Petrópolis, estamos expostas, como também representa a luta das mulheres da nossa comunidade serrana que, assim como Patrícia, resistem ao sistema patriarcal tão enraizado”, diz a nota.

Casos como o que aconteceu com a Patrícia acontecem todos os dias, mas em pouquíssimas vezes ganham repercussão. Esse tipo de ofensa deve ser denunciado. A Patrícia fez um registro na Delegacia do Consumidor (Decon) contra o restaurante da Bohemia. Aqui em Petrópolis, o Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM) orienta as mulheres para que não se calem diante de situações de ofensa e assédio.

A recomendação é que as vítimas de ofensas deste tipo procurem a delegacia, para fazer o registro de injúria ou difamação. O crime de difamação é o ato de imputar um fato ofensivo a reputação de alguém. Já o de injúria, se refere a ofensa à dignidade de outra pessoa. Além disso, é recomendado que seja procurada a Vara Cível, em busca de algum tipo de indenização por danos morais.

O CRAM reforça que os crimes contra a honra, seja ele de injúria ou difamação, acontecem também em ambientes virtuais. Além das insultas feitas presencialmente, na internet as pessoas falam o que querem, sem preocupação com o que as outras vão sentir, causando prejuízos à auto-estima e à reputação. Para denúncia, tanto de homens como de mulheres, é necessário o print da ofensa para realização do registro policial.

O Centro faz o atendimento voltado as mulheres vítimas de violência doméstica. Além disso, o Centro também orienta e auxilia todas as mulheres envolvidas em outros tipos de situação, como encaminhamento a delegacia ou a Defensoria Pública.


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